Kelman pode ir para EPE no lugar de Tolmasquim
Maurício Corrêa, de Brasília —
Ex-diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (Ana) e ex-diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), além de ex-presidente da Light, o engenheiro Jerson Kelman tem o seu nome analisado pelo novo ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, para ocupar a presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no lugar de Maurício Tolmasquim.
O novo titular do MME tomou posse e já entrou turbinado na semana. No final da tarde/início da noite deste domingo, recebeu, em seu gabinete, dirigentes de várias associações empresariais do setor elétrico, no seu primeiro contato com o setor. Na oportunidade, Mário Luiz Menel da Cunha, presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape) e do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), entregou ao ministro uma versão preliminar do documento “Uma agenda propositiva para o setor elétrico brasileiro”, conforme antecipado neste sábado pelo site “Paranoá Energia”.
O texto definitivo deverá ser entregue a Fernando Coelho Filho nesta quarta-feira, no Rio, na abertura do mais importante evento anual da área, o “Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico” (Enase), organizado pelo site “Canal Energia”. O ministro confirmou presença no evento.
Este site também apurou que, nesta segunda-feira, 16 de maio, o novo titular do MME também terá uma reunião com o ministro do Planejamento, Romero Jucá, um representante do Ministério da Fazenda e o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, para examinar uma questão muito delicada que envolve a Pasta, que é o fechamento do balanço da holding estatal do setor elétrico.
Afinal, na próxima quarta-feira, dia 18 de maio, vence o período fixado pela Securities and Exchange Commission (SEC), equivalente à CVM nos Estados Unidos, para que a Eletrobras apresente o seu balanço devidamente auditado. Se não o fizer, os possuidores de papéis da empresa no mercado americano poderão solicitar antecipação do pagamento de papéis lançados pela Eletrobras, que somam a bagatela de R$ 40 bilhões. Seria necessário um aporte do Tesouro Nacional nesse valor, o que é má notícia para o Governo, considerando que o Tesouro brasileiro ficou em péssimas condições na gestão da presidente Dilma Rousseff e o novo Governo está fazendo malabarismo para fechar as contas públicas.
O ministro Fernando Bezerra Coelho Filho também está correndo atrás de um bom nome para ocupar a Secretaria-Executiva do MME. Como não é um especialista da área, é fundamental para o ministro que o secretário-executivo seja competente, para não comprometer a gestão do ministro. Embora as decisões fundamentais sejam tomadas pelo ministro, o fato é que, na prática, caberá ao secretário-executivo tocar o MME na parte técnica.
Em conversa com amigos, o novo ministro — que já tem um nome na cabeça, mas ainda está recebendo várias sugestões — quer que o secretário-executivo tenha um perfil não apenas de competência técnica, mas, também, de ser uma pessoa que tem apreço pelo diálogo. Nesse sentido, é fundamental, para o ministro, que o substituto de Luiz Eduardo Barata, tenha trânsito efetivo junto às associações empresariais do setor elétrico, mas, também, junto às áreas institucionais que dão apoio ao trabalho do MME: ONS, EPE, CCEE e Aneel. É preciso também ser um profissional sensato no processo de tomada de decisões e, além do mais, deve conhecer bem todos os segmentos da área de energia elétrica (geração, distribuição, transmissão e comercialização).
Depois da reunião das associações com o ministro, Mário Menel afirmou que ele primeiro quer “acertar a casa”, ou seja, deseja em primeiro lugar encontrar uma solução para a pendência da Eletrobras com a SEC e depois anunciar a sua equipe técnica, de preferência no Enase. “Ele está com pressa para resolver os nomes da sua equipe”, disse Menel, esclarecendo que a reunião deste domingo foi mais uma apresentação das associações para o novo ministro. “Cada um falou sobre os problemas específicos e depois eu falei como Fase”.
No documento entregue a Fernando Coelho Filho, o presidente do Fase ressaltou a questão do fluxo financeiro do setor elétrico e a extrema judicialização do mercado, como dois assuntos que podem travar a área de energia elétrica. “O documento propõe que as soluções sejam antes de tudo negociadas em conjunto com a área empresarial. O ministro mostrou que está disposto ao diálogo e esta reunião de hoje é uma prova disso. Ficamos muito animados com este início”, argumentou Mário Menel.
O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) também disse, ao final da reunião, que o ministro deverá comparecer ao Enase, nesta semana. “Isso mostra que ele está muito empenhado em buscar o diálogo. Temos muita coisa para resolver. Os consumidores estão esgotados na capacidade de pagar e o Tesouro Nacional também está esgotado. Precisamos buscar soluções para desarmar os problemas”, afirmou Pedrosa.
Na sua visão, o novo ministro “não caiu na armadilha fácil de apenas olhar para trás. Ao contrário, ele pretende trabalhar em uma agenda voltada para o futuro, liderando um processo de transformação do setor elétrico. Isso é muito bom para o País”. Essa mesma opinião foi oferecida pelo presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros, enquanto Luiz Otávio Koblitz, da Atiaia Energia e vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), comentou que “a reunião foi muito boa. Sou conterrâneo do ministro e já conhecia o seu trabalho. Sei que ele é muito bom de diálogo e sobretudo para entregar resultados. O mercado pode confiar nele, pois é bastante dinâmico”.
Além de Menel, Pedrosa, Medeiros e Koblitz, participaram da reunião Marcelo Moraes, diretor da Abiape; Guilherme Velho, presidente da Apine; Élbia Gannoum, presidente da Abeeólica, Daniel Mendonça, diretor da Abradee; Fábio Alves, da empresa TransNorte (como representante dos transmissores) e três dirigentes da Absolar: Nelson Colaferro, Rodrigo Sauaia e Guilherme Syrkis.