Guerra na Europa altera agenda de Bento na reunião da AIE
Maurício Corrêa, de Brasília (com apoio do MME) —
O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participou, nesta quarta-feira, em Paris, da reunião Ministerial da Agência Internacional de Energia (AIE). Ele foi a Paris com uma agenda preparada durante meses para se discutir a transição energética, mas foi surpreendido pela súbita volatilidade do gás natural e do petróleo bruto e seus derivados em consequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, mudando consideravelmente as perspectivas da economia mundial.
O evento conta com as presenças de cerca de 40 ministros de energia dos países-membros, bem como de lideranças empresariais do setor. Embora o objetivo central da reunião ministerial tenha sido discutir formas de acelerar a transição energética global para um futuro de baixo carbono, neste ano o evento assumiu uma dimensão inesperada, devido à guerra na Europa, que está provocando enormes impactos, a nível mundial, na área de energia.
Segundo o MME, por isso a reunião ministerial da AIE, que ocorre em momento marcado por enorme volatilidade nos mercados internacionais de energia, está servindo também como uma ocasião mais do que privilegiada para a discussão e coordenação de ações coletivas, com vistas à estabilização dos mercados globais de petróleo e gás.
Vinculada à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a AIE é um dos principais foros internacionais dedicados aos temas energéticos. O Brasil é país associado da AIE e, nos anos recentes, tem desenvolvido intenso trabalho de cooperação técnica com o organismo.
Na tarde desta segunda-feira, 22 de março, o ministro Bento Albuquerque reuniu-se com o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, para troca de impressões sobre o cenário energético internacional e sobre as principais tendências da transição energética. Na ocasião, foi assinado um novo Plano de Trabalho Brasil-AIE para o período 2022-2023. O documento prevê diversas ações de cooperação, com ênfase em treinamento e capacitação, intercâmbio de dados estatísticos e participação técnica brasileira na revisão de relatórios relevantes da organização.
“A parceria com a AIE tem rendido frutos em temas de grande interesse para o setor energético brasileiro, em áreas como planejamento energético, desenho de mercado de energia (eletricidade e gás natural), segurança energética, bioenergia e biocombustíveis, eficiência energética e hidrogênio”, esclareceu o MME, num comunicado na internet.
Ao discursar nesta quarta-feira, 23 de março, na abertura oficial do evento, o ministro Bento Albuquerque afirmou, em inglês, que tanto os governos quanto as empresas têm responsabilidades e papéis a desempenhar visando à aceleração da transição energética. Ele alertou, porém, que a transição energética precisa ser feita passo a passo com a segurança energética.
Segundo o ministro, a palavra-chave para esse trabalho colaborativo entre a indústria e o governo atende pelo nome de consenso. Trabalhando nessa direção, como afirmou, o Brasil incrementou a produção de petróleo nos últimos meses, mas, ao mesmo tempo, o Governo Federal está atento à questão de manter a liderança na área de energia renovável.
Ele lembrou que foram feitos diversos leilões na área de energia renovável, mobilizando muitos projetos de energia eólica e solar que, quando concluídos, deverão resultar em forte ampliação da capacidade instalada do País. “Dezenas de gigawatts”, frisou o ministro Bento. Nesse contexto, ele também destacou a nova regulação visando à produção de energia eólica offshore.
Outro aspecto destacado pelo ministro de Minas e Energia foi a geração de energia solar que, conforme destacou, pulou de oito para 40 gigawatts no período de 10 anos, num processo que junta marketing dinâmico, novos empreendedores e companhias inovadoras. Na mesma linha de raciocínio, o ministro Bento destacou a questão da bioenergia, com uso sustentável de biocombustíveis.
Nesta quinta-feira, o tema da transição energética continuará em discussão, mas o ministro brasileiro terá reuniões paralelas privadas com o ministro do Clima, Energia e Serviços Públicos da Dinamarca, Dan Joergensen, além do ministro da Economia da Argentina, Martin Gusman, e com a ministra da Transição Ecológica da França, Barbara Pompili. Além disso, o ministro Bento agendou um almoço com o delegado do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas em Paris, embaixador Márcio Cozendey.