Eletrobras promove novo PDV e busca equilíbrio das contas
Maurício Corrêa, de Brasília —
A Eletrobras continua com suas contas desequilibradas e, nesta quarta-feira, 31 de agosto, a estatal recebeu sinal verde do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, para manter o ritmo da reestruturação, buscando alternativas que permitam à empresa ter mais sintonia entre as despesas e as receitas. A informação foi prestada a este site, com exclusividade, pelo presidente da estatal, Wilson Ferreira Junior, após ser recebido pelo ministro, no MME.
Conforme explicou, até outubro a Eletrobras terá um novo plano plurianual e, dentro dele, estará devidamente desenhado um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). “A orientação do ministro é muito clara. Ele quer a Eletrobras forte e participante, mas operando com eficiência”, explicou Wilson. Ele argumentou que ninguém duvida da capacidade técnica do pessoal da Eletrobras, pois, há muitas décadas, os empregados da empresa têm dado provas nesse sentido.
“Entretanto, precisamos ativar um novo programa de incentivo às aposentadorias, negociando em alto nível com o sindicato, pois continuamos a ter os custos maiores do que as receitas. Além disso, temos uma excessiva concentração do nosso pessoal em cargos de chefia. Em um grupo de 1 mil pessoas, 230 têm gratificação por função comissionada. É um número muito elevado, custoso e ineficiente”, disse Wilson.
Hoje, o Sistema Eletrobras tem uma configuração bastante diferente da gestão anterior, pois Wilson Ferreira Junior, além de presidente da Diretoria-Executiva da estatal, ocupa ao mesmo tempo as presidências dos Conselhos de Administração das subsidiárias Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul. “Isso facilita a comunicação. E a nossa orientação, agora, é agir como grupo, ou seja, promovendo ações que possam ser uniformemente aplicadas às controladas. Desta forma, entendo que teremos melhores condições para conseguir resultados à altura daqueles que estão na expectativa dos acionistas controladores”, complementou o presidente da Eletrobras.
Outro assunto que fez parte da conversa com o ministro de Minas e Energia foi a pendência que a Eletrobras tem com a New York Stock Exchange (NYSE) devido à falta de relatório dos auditores independentes no balanço da estatal. Os papéis da Eletrobras deixaram de ser negociados na NYSE, em 18 de maio passado, pois a estatal não enviou o balanço de 2014 devidamente auditado. Isso aconteceu porque a auditoria independente, a KPMG, se recusou a assinar o documento, sob a alegação que o balanço não refletia corretamente os impactos investigados pela Operação Lava Jato.
Wilson Ferreira Junior lembrou que não pode falar detalhadamente sobre o assunto, mas admitiu que está sendo produzido um novo relatório, que estará pronto até o próximo dia 15. Nos dias subsequentes, o documento será intensamente debatido dentro da empresa, de modo que esteja tudo pronto, em 11 de outubro, quando se encerra o prazo da NYSE para encaminhamento de uma posição definitiva. “Tenho certeza que vamos cumprir o prazo”, afirmou. Wilson.
Ele também garantiu a este site que, até o final de setembro, será indicado um novo preço mínimo para venda da distribuidora goiana Celg, hoje controlada pela Eletrobras. “Estou otimista e certo que saberemos encontrar um preço que seja razoável, dentro das expectativas dos grupos eventualmente interessados, e que também seja justo em relação ao que a Celg efetivamente vale. Quem assumir o seu controle terá uma boa empresa, por um preço justo”, disse.
Na pauta da reunião com o ministro, o presidente da Eletrobras também prestou informações sobre as negociações em curso com a Petrobras, visando ao equacionamento das dívidas feitas pela subsidiária Amazônia Energia, motivadas pelo fornecimento de óleo combustível, que somam R$ 5,4 bilhões. Na semana passada, ele conversou sobre o assunto com o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro. “Estamos em um processo de negociação e é preciso acertar essa pendência, que faz parte do balanço da Petrobras. Pretendemos utilizar créditos que temos junto à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e à Reserva Global de Reversão (RGR), que somam quase 2 bilhões”, assinalou.