100 mil pessoas sem luz em 3 concessões da Enel
Maurício Corrêa, de Brasília —
A Enel iniciou uma campanha de anúncios publicitários em veículos de comunicação, argumentando que a empresa conseguiu reduzir o tempo médio de atendimento aos seus clientes, mas o fato é que o serviço da concessionária continua extremamente irregular.
Na noite desta quarta-feira, 12 de fevereiro, a única das três concessões da Enel no Brasil que poderia talvez receber uma nota mais alta seria o Rio de Janeiro. Nessa área de concessão, a empresa italiana atende a 3.118.811 unidades consumidoras, das quais apenas 1.449 estavam sem energia às 19h50m, conforme boletim distribuído pela concessionária. Esse número correspondia a somente 0,05% do total de consumidores atendidos.
Nas outras duas áreas de concessão (Ceará e São Paulo), o problema era mais complexo. No Ceará, onde a Enel atende a 4.060.940 unidades consumidoras, 7.025 estavam sem luz às 19h30m.
Estatisticamente, isso representava no momento apenas 0,17% do total de unidades consumidoras atendidas pela Enel. Mas, quando se analisa o quadro por municípios, em algumas áreas a situação estava dramática.
Nesse horário, o município de Aratuba, estava com 14,35% das unidades consumidoras desconectadas da rede da Enel, enquanto em Capistrano eram 10,10%. A situação era igualmente impactante em Morada Nova (1,80%), São Gonçalo do Amarante (1,18%) e Tianguá (1,31%).
Às 20h30m, era possível observar que na área metropolitana de São Paulo a situação era semelhante a do Ceará. No total, na área de concessão, são atendidas 8.290.789 unidades consumidoras, das quais 23.048 estavam no breu, ou seja, 0,28% do total. Olhando apenas para o percentual, o primeiro raciocínio é dizer: estatisticamente não é nada.
Entretanto, vendo por município observa-se que, naquele horário, algumas áreas estavam sofrendo bastante com a falta de energia elétrica.
Em Diadema, por exemplo, a falta de luz atingia 1.273 unidades consumidoras (0,68% do total); Jandira, 1.581 (2,82%); Mauá, 507 (0,28%); Santo André, 1.243 (0,34%); São Bernardo do Campo, 611 (0,17%) e, na Capital, 16.539 (0,30%).
Ou seja, não será a publicidade que resolverá o problema de imagem da Enel no Brasil. A empresa se orgulha de ter atuação global, mas, aqui, onde atende cerca de 15,5 milhões de unidades consumidoras, seu prestígio está por baixo.
Afinal, no total, nas três áreas de concessão que a Enel tem no Brasil, havia, no início da noite, 31.522 unidades consumidoras sem energia elétrica. Dependendo do critério a ser adotado na conta, isso poderá significar cerca de 100 mil pessoas sem luz. É muita coisa. Este editor já escreveu uma coisa e vale repetir: os leitores devem esquecer o percentual que a Enel diz que está sem luz. Pensem apenas, por exemplo, naquele cidadão de São Bernardo do Campo (só 0,17% do total da concessão da Enel em São Paulo sem luz naquele momento). Esqueçam o percentual. Pensem naquele cidadão que chega em casa e está todo mundo no breu. A família inteira.
A situação da empresa só não é pior porque o Governo Federal (Presidência da República, Ministério de Minas e Energia e Agência Nacional de Energia Elétrica) passa um pano e finge que não vê o que está efetivamente acontecendo. Mas é lógico que não dá para passar um pano e fingir que não está acontecendo nada. Só os políticos (presidente Lula, ministro Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa) tem essa habilidade especial.