Sistema cooperativista parte para geração elétrica por biogás
Maurício Corrêa, de Brasília (Com apoio da OCB/PA e Coober) —
O Brasil não é apenas crise. Várias inovações estão ocorrendo, por exemplo, no campo da geração elétrica, que passam à margem da burocracia ou das confusões de Brasília ou da Lava Jato. É o Brasil que trabalha e acredita naquilo que faz. Neste mês, por exemplo, quando a primeira cooperativa de energia solar do País (a Coober, da cidade paraense de Paragominas) completa o primeiro ano de funcionamento, estão sendo aprofundados os estudos para a constituição de uma outra cooperativa, mas na modalidade de geração pelo biogás.
De acordo com o presidente da Coober, Raphael Vale, a grande novidade para 2017 é a participação da cooperativa em uma nova modalidade de geração de energia limpa, com a migração para aproveitamento do biogás. Em março, será oficializado um termo de cooperação técnica com um fornecedor de Minas Gerais para a aquisição da tecnologia alemã de biodigestão. “Trabalhamos com um cenário no qual existe um mix de alternativas para a geração elétrica sob a forma de cooperativa”, acrescentou.
O que se estuda no momento é o tipo de resíduos que podem ser utilizados para a geração. “Ao longo deste mês, estamos fechando algumas parcerias estratégicas para a execução do projeto de biogás. Para o fornecimento do material necessário, estudamos incluir cooperativas do ramo agropecuário, como a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açú (Camta), que fica no Pará. Os nossos associados estão amadurecendo a ideia de um biodigestor que abrirá um novo horizonte com maiores alternativas de intercooperação. A partir do gás bruto, poderemos gerar energia elétrica, biofertilizantes e biometano. No primeiro momento, produziremos apenas energia, mas planejamos ampliar nossa atuação”, disse Vale.
A modalidade renovável de energia experimentou um crescimento vertiginoso em um curto espaço de tempo. Nas suas contas, existem 8.200 conexões de geração distribuída. No mesmo período do ano passado, existiam apenas cerca de 600 conexões, aumento que tende a continuar. A primeira cooperativa de energia renovável do Brasil, a Coober, que é do município paraense de Paragominas, está promovendo diversas palestras no país inteiro sobre o panorama do mercado, desafios e possibilidades em relação à modalidade. Nesta semana, o presidente da cooperativa, Raphael Vale, está em Brasília, participando de vários eventos para divulgar a formação de cooperativas de energia na geração elétrica.
Na segunda-feira, 20 de fevereiro, a Coober transmitiu as ideias para um público de produtores rurais vinculados à Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). Tratou-se sobre as possibilidades de se inserir a sustentabilidade nos projetos do ramo a partir da produção energética fotovoltaica, seja no formato individual ou no cooperativo. “A tendência de verticalização produtiva aumenta a demanda pelo consumo de energia elétrica. Com as altas taxas cobradas pelo sistema convencional de fornecimento energético, um diferencial na conta de luz representa um número de sobras maior para os pequenos produtores”, argumentou o presidente da Coober.
Nesta terça, ele também participou, já em Brasília, de um seminário promovido pela OCB Nacional. O objetivo da entidade é estimular a constituição de outras cooperativas no Brasil que trabalhem também com a energia renovável. Discutiu-se o contexto energético atual e a importância da energia limpa para o futuro, sobre as oportunidades para o cooperativismo, em especial pela experiência do projeto pioneiro da Coober e sobre um diagnóstico de pessoas interessadas em implantar um projeto similar.
Nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, o presidente da Coober fará uma apresentação sobre a cooperativa de Paragominas para o Comitê de Energia do Sebrae Nacional. No mesmo dia, falará para os cooperados da CentralSicoob Planalto Central na Universidade de Brasília (UnB). “Os cooperados mostraram-se dispostos a constituir uma cooperativa. Existe ainda a possibilidade de fazermos um acordo de intercooperação com a inclusão de alguns associados da SicoobCrediJustra, que faz parte da Sicoob Planalto Central, na Coober. Discutiremos sobre o assunto e estudaremos o projeto que tenha maior viabilidade econômica”, explica Raphael.
Na evolução em direção ao biogás, a atuação do sistema cooperativista na área de energia tem total apoio de Ernandes Raiol, que preside a OCB no Pará. “Vivemos um momento importante e especial de expansão do pensamento sustentável. O país está se voltando para a tendência de sustentabilidade e o cooperativismo é o agente principal dessa mudança. É possível crescer de uma maneira ambientalmente correta. Sem dúvida, as cooperativas são a chave para a expansão das energias renováveis no Brasil”, disse.
O Sistema OCB/PA, juntamente com a Prefeitura Municipal de Paragominas, promoverá no próximo mês, o seminário “Paragominas: O Futuro e as Energias Renováveis”, quando serão discutidas as alternativas para a geração de energias que minimizem o impacto ambiental e que tenham melhor eficiência do que os modelos tradicionais baseados nos combustíveis fósseis. O evento, que é dividido em três painéis,será realizado no Teatro Reinaldo Castanheira no dia 23 de março, em comemoração ao primeiro ano de existência da Coober.