Abraceel renova 4ª feira no mínimo 3 das 8 vagas no Conselho
Maurício Corrêa, de Brasília —
A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) vai para a eleição direta que escolherá os integrantes do seu Conselho de Administração, nesta quarta-feira, 08 de março, já sabendo que haverá uma renovação de pelo menos três das oito vagas.
Nesta segunda-feira, 06 de março, às 10 horas, terminou o prazo para registro dos candidatos e três dos atuais conselheiros não se interessaram pela reeleição: Paulo Cezar Coelho Tavares, da Sol Energias; João Carlos Guimarães, da EDP; e Marcos Keller, da Engie.
A cédula da eleição conterá 13 nomes para preencher as oito vagas do Conselho da Abraceel. Cinco são de atuais conselheiros que pleiteiam a recondução: Ricardo Lisboa, da Delta; Oderval Duarte, do BTG; Rafael Mathias, da Capitale; Mikio Kawai Junior, da Safira; e Cristopher Vlavianos, da Comerc.
Os oito nomes restantes são associados interessados em ingressar no Conselho: Marcos Junior, da Cemig; Gustavo Machado, da Nova Energia; Daniel Camposilvan, da CPFL; Fábio Zanfelice, da Votorantim; Alessandra Amaral, da Energisa; Walfrido Avila, da Tradener; Claudio Monteiro, da Matrix; e Franklin Miguel, da Copel.
Se eleita, Alessandra Amaral será a primeira mulher a integrar o Conselho da Administração. Marcos Junior, Fábio Zanfelice e Walfrido Ávila já foram conselheiros em outras situações e querem voltar a contribuir com a associação no nível de Conselho.
O peculiar modo de escolha dos conselheiros da Abraceel, através da votação direta pelas empresas associadas, ao contrário do conchavo — que é uma espécie de norma geral no ambiente corporativo brasileiro — inevitavelmente gera algum tipo de tensão. Neste ano não foi diferente.
Um associado que não é candidato explicou para este site que, embora a Abraceel tenha uma razoável unidade — mesmo considerando os tipos de empresas que a integram, que por sua vez têm objetivos estratégicos muito diferentes — nos últimos meses houve algumas situações que escaparam ao controle e acabaram gerando conflitos internos que desembocaram no período eleitoral.
Uma dessas situações, apontada por várias comercializadores, inegavelmente foi o polêmico procedimento que a associação adotou, no ano passado, em relação à Cemig, atitude que foi considerada altamente equivocada. Afinal, a geradora mineira, associada histórica da Abraceel, foi denunciada à Aneel pela própria associação, por prática irregular de mercado, fato imediatamente desmentido pela agência reguladora. Isso gerou dois constrangimentos internos enormes: o primeiro foi o espanto da maioria dos associados com a decisão de processar uma empresa integrante da Abraceel, algo que nunca tinha acontecido no ambiente dos comercializadores.
O segundo constrangimento foi que a associação, pressionada pela Cemig, teve que se desculpar formalmente pela inusitada iniciativa, que acabou considerada como uma enorme trapalhada por parte do Conselho de Administração e da Diretoria-Executiva. Essa confusão, obviamente, não poderia deixar de impactar o processo eleitoral e nas últimas semanas foi lembrada a este site por várias empresas associadas.
A acusação à Cemig nunca ficou muito clara dentro da Abraceel e os associados sempre se preocuparam com a razão efetiva pela qual ela teria acontecido. Muitos associados inclusive se ressentem do fato de que não houve uma discussão interna depois do desmentido formal feito junto à Cemig e à Aneel. Este site apurou que dos cinco conselheiros atuais que são candidatos à reeleição, três apoiaram a denúncia contra a Cemig e a fatura poderá chegar nesta quarta-feira, dependendo do humor e da memória dos 68 eleitores.
Uma bolsa informal feita pelos próprios comercializadores indica que a renovação, além dos três conselheiros que não são candidatos à reeleição, poderá alcançar mais dois ou três nomes, pois haveria um forte desejo de renovação em relação ao Conselho de Administração, o que explica o interesse de grandes empresas no registro de candidatos.
Hoje, por volta das 10h30m, a Diretoria-Executiva enviou às empresas associadas um longo e-mail, contendo a cédula de votação, com a confirmação dos nomes dos candidatos, e esclarecendo as regras do jogo.
“A governança da Abraceel é bastante diferente de outras organizações e, nesse contexto, a eleição direta para o Conselho é um dos pontos altos dos mecanismos que regem a nossa associação. Assim, renovamos o convite aos representantes oficiais para que compareçam à eleição e, se isto não for possível, que enviem procuradores devidamente municiados da necessária procuração”, diz o comunicado.
O processo de escolha é simples: cada empresa tem um representante oficial junto à Abraceel, que é quem vota em nome do associado (pode, aliás, ser substituído mediante procuração). O representante vai receber uma cédula contendo os nomes dos 13 candidatos, segundo a ordem de registro junto à Diretoria-Executiva. E poderá indicar até oito nomes para compor o novo Conselho. Nem sempre os oito nomes são indicados, pois isso depende da estratégia de cada associado.
Terminada a apuração e escolhidos os oito novos integrantes do Conselho, segue-se uma segunda eleição apenas para a presidência do colegiado, consultando os oito recém-eleitos sobre quem deseja integrar o Conselho. Se houver disputa, realiza-se imediatamente uma segunda eleição e a posse ocorre logo em seguida.