Fracassa processo de licitação da Celg D
Maurício Corrêa, de Brasília (Com Agência Estado) —
Os sinais que já eram discretamente emitidos há alguns dias por empresas de olho no negócio se confirmaram: por falta de interessados, fracassou completamente a primeira tentativa efetiva de privatização da distribuidora goiana Celg. A Comissão de Licitação que coordenou o processo de desestatização divulgou um comunicado no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 16 de agosto, informando que a licitação foi considerada deserta por falta de interessados e
que o leilão previsto para 19 de agosto foi cancelado.
Várias empresas consultaram as informações disponíveis sobre a Celg, mas todo mundo considerou o preço muito salgado. O Ministério de Minas e Energia distribuiu um comunicado garantindo que o leilão será remarcado, pois, como não houve a entrega dos documentos por empresas eventualmente interessadas, nesta terça-feira, às 12 horas, conforme previa o edital, não sobrou outra alternativa a não ser suspender o processo de licitação.
“Caberá ao Ministério de Minas e Energia (MME) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reavaliar os parâmetros de formação do preço a serem ajustados, os quais passarão pela aprovação do Conselho do PPI, de modo que desestatização seja adequadamente retomada no menor espaço de tempo possível”, diz a nota do MME.
O processo de venda do controle da Celg D foi iniciado em maio de 2015, com a inserção da Companhia no Programa Nacional de Desestatização (PND). No dia 24 de junho de 2016, o edital de desestatização foi publicado, definindo a data do certame, na BM&F Bovespa, em São Paulo.
A Celg D é considerada uma boa empresa, embora tenha tido uma péssima gestão durante anos seguidos, por parte do antigo controlador, o governo goiano, motivando a transferência do controle societário para a Eletrobras, para evitar o comprometimento do fornecimento de energia elétrica na área de concessão. A holding federal, hoje, detém 50,93% do seu capital social, ficando o Governo de Goiás com o restante. A empresa é responsável pelo atendimento de 237 municípios do Estado de Goiás — o que corresponde a mais de 98,7% do território goiano — e que atende a 2,61 milhões de unidades consumidoras e abrange uma área de concessão de 336.871 km².
Segundo matéria distribuída pela Agência Estado, a ausência de interessados pela distribuidora de energia elétrica Celg no leilão cancelado nesta terça-feira foi fruto de “um problema de discussão de preço”, afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira. “Investidores acharam que estimativa de preço que havia sido feita pela consultoria estava muito elevada, embora várias empresas manifestaram interesse”, disse.
Mais cedo, o Broadcast antecipou que o governo estava apreensivo em relação ao certame, temendo não haver nenhum interessado. A Celg não é considerada um ativo ruim, mas seu preço mínimo de venda, de R$ 2,8 bilhões, estaria muito acima das avaliações do mercado.
“Temos muita confiança de que processo será exitoso após uma reavaliação. O Ministério de Minas e Energia já começou esse trabalho de reavaliação de preço e, no menor prazo possível, a gente deve reabrir (o leilão)”, afirmou o ministro interino. Segundo ele, o governo insistiu na realização do certame “para ter a justificativa para a reavaliação”.
“Nós sabíamos que o preço eventualmente pudesse gerar uma crítica dos investidores, que vinham apontando que o preço estava alto. Mas do ponto de vista do processo administrativo, é importante fazer para que fique demonstrado que precisa fazer a revisão”, explicou Oliveira. “Vamos rapidamente fazer a reavaliação e dar seguimento nisso”, garantiu.
O secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o adiamento do leilão da distribuidora Celg-D, de Goiás, não coloca em risco o projeto de desestatização do governo federal. “Vamos fazer mudanças, esse é o resto do governo anterior”, disse.