Paulo Pedrosa volta à presidência da Abrace
Maurício Corrêa, de Brasília —
Paulo Pedrosa está de volta à série A do Campeonato Brasileiro de Energia Elétrica. Nesta sexta-feira, 1º de fevereiro, ele volta à presidência da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), de onde saiu, em 2016, para assumir o cargo de secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia.
Ele deixou o MME em abril do ano passado, quando o então ministro Fernando Coelho também saiu para se desincompatibilizar. Simplesmente, não quis continuar como secretário-executivo e pediu o boné. Cumpriu o período obrigatório de quarentena e agora voltou ao mercado de trabalho.
Este site apurou que agora ele tinha outras propostas de trabalho na mesa, mas optou não apenas pelos desafios profissionais de uma volta ao comando da Abrace, mas, também, pela oportunidade de continuar morando em Brasília, para não se afastar da família. Na Abrace, ele ocupa a vaga deixada por Edvaldo Santana, que assume como executivo no Grupo Electra, do Paraná, com interesses nas áreas de geração e comercialização de energia elétrica.
O site “Paranoá Energia” não tem dúvidas em afirmar que Pedrosa é um dos mais talentosos executivos de sua geração na área de energia elétrica. Tem não só enorme conhecimento técnico, mas, também, visão estratégica e, além do mais, esbanja jogo de cintura no campo político, o que talvez tenha sido uma herança de seus tempos, noutra encarnação (como aprecia dizer), de secretário-executivo nacional do PSDB.
Ao deixar a política, o então presidente Fernando Henrique Cardoso o chamou no Palácio do Planalto e disse que ia indicá-lo para a diretoria da Aneel. Embora graduado em Engenharia Mecânica, ele aceitou a missão e entre 2001 e 2005 foi um excelente diretor de apenas um mandato, tendo sido fulminado pela segunda vitória de Lula e do PT, o que o impediu de permanecer na diretoria da agência reguladora.
Ao deixar a Aneel, ele foi convidado para assumir a presidência executiva da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), onde ficou cinco anos. Também a convite, transferiu-se para a Abrace, onde trabalhou até abril de 2016, quando voltou ao setor público, desta vez como secretário-executivo.
Na Secretaria-Executiva, ele foi o verdadeiro motor de várias iniciativas tocadas pelo MME durante a gestão do presidente Temer. Entre as quais a Consulta Pública 33, que pretendia estabelecer um novo modelo para o setor elétrico e o novo desenho para a política do gás natural.
Montou uma equipe com foco nas mudanças e super-alinhada em pensamento e ação. Quando todas as propostas da Secretaria-Executiva ficaram prontas, por ironia do destino o presidente Temer perdeu completamente a governabilidade, na esteira do escândalo JBS, e nada das propostas teve prosseguimento.
Até hoje, continua tudo parado, do jeito que Pedrosa e o ministro Fernando Coelho (que sempre o prestigiou, acreditou no seu secretário-executivo e soube tomar as decisões políticas) deixaram dentro das gavetas do MME.
Em 2018, por duas vezes, o nome de Paulo Pedrosa bateu na trave e ele quase virou ministro de Minas e Energia. Na primeira vez, foi em abril, quando Coelho deixou de ser ministro. Pedrosa era o nome reivindicado por praticamente todo o setor elétrico brasileiro, mas Temer optou por indicar o seu amigo de Palácio e de Partido, Moreira Franco. Decisão irretocável, sob o aspecto partidário, mas um desastre, sob o ângulo da gestão dos assuntos de energia elétrica.
Mais recentemente, quando Jair Bolsonaro estava montando a equipe de governo, o nome de Pedrosa foi novamente ventilado e até as horas finais estava numa espécie de disputa com o consultor Adriano Pires. Mas o então presidente eleito optou por um terceiro nome, na pessoa do almirante Bento Albuquerque.