Wilson Ferreira Junior renuncia à presidência da Eletrobras
Maurício Corrêa, de Brasília —
A Eletrobras publicou fato relevante, nesta segunda-feira, 14 de agosto, informando que Wilson Ferreira Junior apresentou uma carta de renúncia ao Conselho de Administração da empresa. Imediatamente foi eleito Ivan de Souza Monteiro como novo presidente executivo.
Ferreira Jr teria alegado razões pessoais para deixar a empresa. Seu sucessor ocupava a função de presidente do Conselho de Administração e, nesse cargo, foi substituído por Vicente Falconi Campos.
Amazonense, 63 anos de idade, graduado em Engenharia Eletrônica pela PUC do Rio de Janeiro, Ivan Monteiro fez carreira no Banco do Brasil. Tendo sido nomeado como diretor financeiro da Petrobras, em seguida virou o presidente da estatal.
O novo presidente executivo da Eletrobras também trabalhou no Banco Credit Suisse e integrou os conselhos de administração de grandes empresas, inclusive da área de energia, como CPFL Energia e Votorantim.
A mudança na maior empresa brasileira de energia elétrica mostra uma certa instabilidade na cúpula. Afinal, Wilson Ferreira Junior foi anunciado como presidente executivo no início de agosto do ano passado.
Naquele momento, imediatamente, houve forte otimismo em relação ao seu nome, pois ele tinha sido o principal executivo na própria empresa durante todo o processo que levou à privatização. Saiu da Eletrobras, virou presidente da Vibra, e depois voltou à Eletrobras.
Então, o mercado acreditava que Ferreira estava em condições totais para tocar a nova Eletrobras, já privatizada e livre das amarras do governo, com base numa agenda de trabalho visando o aumento de eficiência, enxugamento de atividades não lucrativas e redução de alavancagem.
Só que as coisas nem sempre são lineares dessa forma. Antes mesmo de Ferreira Junior assumir a presidência da Eletrobras, a empresa foi fortemente bombardeada pelo presidente Lula, que, desde a eleição, sempre criticou a forma como a empresa foi privatizada.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez coro com o presidente da República e também colocou a boca no trombone. Essa situação deixou Ferreira Junior em constante estado de tensão por motivos políticos. Como presidente da Eletrobras, ele passou o tempo inteiro sob pressão do Palácio do Planalto e do MME.