ONS dá o tom e diz como energia da Venezuela volta ao Brasil
Da Redação, de Brasília (com apoio do ONS) —
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou em reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na quarta-feira, 25 de outubro, as recomendações para viabilizar a importação de energia elétrica da Venezuela para o Brasil. A importação de energia ocorrerá em substituição à geração de usinas termelétricas com custos variáveis unitários mais elevados que atendem à carga do sistema de Boa Vista, capital de Roraima. A energia destinada a Roraima virá da hidrelétrica de Guri, na Venezuela.
Para concluir as avaliações, o ONS apontou que precisa receber informações detalhadas e atualizadas sobre o Sistema Elétrico Venezuelano para garantir a segurança da operação interligada entre os dois países à medida em que se aumentem os fluxos na interligação. As análises apresentadas pelo Operador consideraram dados utilizados na última vez em que Roraima operou interligado à Venezuela.
Para o CMSE, o ONS indicou as vantagens e os pontos de atenção dos dois critérios de confiabilidade estudados para o retorno da operação interligada ao sistema elétrico venezuelano, em caso de perda da interligação: a operação em N-1, sem corte de carga em Roraima, ou a operação com corte de carga controlado (com atuação do ERAC).
Outro aspecto destacado para garantir a segurança operativa no intercâmbio de energia foi a necessidade de que a interligação opere de forma contínua, requerendo que o montante ofertado seja plenamente flexível. Ou seja, o montante a ser importado poderá variar conforme a demanda, podendo ser próximo a zero, nos momentos de menor carga no sistema de Roraima.
Uma outra medida apontada pelo ONS como imprescindível para a operação interligada é a instalação de Sistema Especial de Proteção (SEP) de abertura da interligação em situações de ocorrências no sistema venezuelano, de modo a evitar que perturbações no sistema elétrico do país vizinho se propaguem para Roraima, e vice-versa.