Além das chuvas, Enel não tem equipes para ligar novas habitações à rede
Da Redação, de São Paulo (com apoio do SindusCon-SP) —
Os problemas gerados pela concessionária Enel, em São Paulo, são muito mais graves do que os cortes no fornecimento de energia elétrica que ocorrem depois de cada chuva. Cerca de 16 mil unidades habitacionais em São Paulo seguem sem ligação de energia elétrica, mas não em consequência da chuva. A Enel simplesmente não consegue atender os pedidos de ligação de novas residências.
Em mais um esforço para solucionar o problema, representantes do SindusCon-SP se reuniram na manhã desta terça-feira, 25 de março, com membros da Enel São Paulo. O encontro aconteceu na sede da concessionária, na capital paulista.
A Enel recebeu um levantamento de empreendimentos para priorização de ligações elétricas. De acordo com o SindusCon-SP, 7.942 unidades habitacionais aguardam há pelo menos seis meses pela conexão à rede. Além disso, outras 2.843 unidades enfrentam atrasos de 30 a 181 dias na instalação da energia elétrica.
Mais uma vez, a empresa fez promessas de melhoria no atendimento do setor. No entanto, segundo o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, esses avanços ainda não são perceptíveis. “Nós apontamos que, até o momento, não conseguimos identificar melhorias nos processos da Enel. Citamos diversos casos em que enfrentamos problemas, desde a aprovação de projetos até a execução de novas ligações”, afirmou. Ainda de acordo com Estefan, as reuniões do Grupo de Trabalho entre a entidade e a concessionária, que antes ocorriam a cada dois meses, passarão a ser mensais.
A Enel apresentou ao SindusCon-SP os esforços que vem adotando para melhorar o atendimento, incluindo a contratação de novas equipes. A expectativa é que, até abril, a concessionária já conte com um contingente maior de técnicos para atender o setor.
Durante a reunião, o presidente do Conselho de Administração da Enel Brasil, Guilherme Lencastre, afirmou que a empresa não enfrenta mais problemas no recebimento de materiais para realizar as ligações, com exceção das conexões subterrâneas, em que ainda há um problema pontual. Segundo ele, a situação deve ser resolvida dentro de um mês, com a chegada de novos transformadores. Lencastre também destacou que novas equipes de eletricistas estão sendo treinadas para reforçar o serviço.
O SindusCon-SP propôs à Enel que a empresa destaque profissionais exclusivos para atender grupos de construtoras. Com isso, cada empresa encaminharia seus processos a um único responsável, que acompanharia todas as etapas dentro da concessionária, desde a aprovação do projeto até a ligação final ao consumidor.
Outra demanda apresentada foi a melhoria dos processos internos da Enel, com uma comunicação mais eficiente entre as equipes. O SindusCon-SP sugeriu que a concessionária integre melhor os times responsáveis pela aprovação das instalações civis nas obras e aqueles encarregados de realizar as conexões elétricas.
“Citamos diversos casos de ligações programadas que acabam sendo adiadas por até 20 dias devido a imprevistos menores, como problemas de trânsito. Não faz sentido postergar uma ligação já autorizada por tanto tempo”, disse Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP. Segundo ele, a Enel se comprometeu a reduzir esses prazos quando o atraso for causado por fatores internos da própria concessionária.
A entidade também solicitou um canal de comunicação mais ágil para definir os critérios de ligação dos empreendimentos, além da criação de um canal técnico entre os projetistas e a Enel para acelerar a aprovação dos projetos.
O SindusCon-SP reafirma sua disposição para o diálogo e para colaborar na busca por soluções, mas espera que a Enel vá além das promessas e implemente mudanças efetivas. A entidade seguirá cobrando melhorias para que o problema seja resolvido de forma definitiva, beneficiando tanto o setor da construção civil quanto os consumidores.
O SindusCon-SP é a maior associação de empresas da indústria da construção na América Latina. Congrega 300 construtoras associadas e representa cerca de 50 mil empresas de construção residencial, industrial, comercial, obras de infraestrutura e habitação popular, localizadas no estado de São Paulo. Tem sede na capital paulista e representações em nove regiões e uma delegação nos principais municípios do interior. A construção paulista representa 27,6% da construção brasileira, que por sua vez equivale a 4,9% do PIB brasileiro.