MME discute distribuição de energia no Sul
Da Redação, de Brasília (com apoio do MME) —
O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participou, nesta terça-feira, 07 de maio, de reunião do comitê de gerenciamento de crises, estabelecido pela Portaria Nº 61/2023. O encontro contou com a participação de representantes das distribuidoras de energia elétrica e definiu um plano estrutural para o reestabelecimento da distribuição de energia e reconstrução do parque elétrico do Rio Grande do Sul.
O plano será coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com apoio de todas as distribuidoras do Brasil, para dar celeridade à recomposição do fornecimento de energia, a medida em que houver segurança da operação e viabilidade de acesso, a partir da redução do nível do alagamento no estado, causados pelas recentes chuvas.
Ao todo, 500 eletricistas de outros estados reforçarão as equipes gaúchas que atuam desde o início dos incidentes tendo apoio das Forças Armadas para deslocamento. Atualmente, mais de 4 mil funcionários das distribuidoras com contratos no Rio Grande do Sul operam em regime de revezamento, de forma ininterrupta.
Além disso, equipamentos de infraestrutura para substituição dos ativos afetados serão compartilhados pelas concessionárias de outras regiões do país, auxiliando na logística necessária para reestabelecimento da distribuição de energia. “Nosso plano permitirá o compartilhamento de recursos e de profissionais para reestabelecer, o quanto antes, a energia no estado”, explicou o ministro.
As distribuidoras se comprometeram ainda a doar insumos básicos de saúde, higiene e de colchões, sensibilizadas pelo relato apresentado pelo ministro na reunião.
Em outra frente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá flexibilizar os recursos de eficiência energética. A medida vai viabilizar a entrega de geladeiras, lâmpadas e chuveiros elétricos à população mais carente e fortemente afetada pelas chuvas.
Religamentos
Cerca de 20 mil famílias tiveram o fornecimento de energia restaurado nas últimas 24 horas no Rio Grande do Sul, alcançando a totalidade das unidades consumidoras sem restrição de acesso ou de segurança.
Atualmente, 450 mil unidades ainda estão sem energia em função dos temporais, num total de 162 municípios, em locais em que ainda há inviabilidade de retomada das conexões de maneira segura ou com severas restrições de acesso. Esse número chegou a 560 mil no final de semana, quando foi registrado o pico no número de desligamento.
A articulação governamental também garantiu que a Petrobras assumisse o compromisso de doar aproximadamente R$ 5,6 milhões para auxiliar as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul. Os recursos serão utilizados para distribuição de produtos de primeira necessidade, como cestas básicas, cobertores, eletrodomésticos, entre outros para atendimento às vítimas.
Outra medida importante apresentada foi a flexibilização temporária da mistura obrigatória de biocombustíveis, permitindo a diminuição, no estado, dos teores de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel enquanto durar a crise.
Durante a reunião do comitê, foi informado também que as barragens no Rio do Sul não apresentaram alteração da situação de segurança. O monitoramento ocorre de maneira contínua e aponta estabilidade.
Por fim, o Ministro demandou que sejam identificadas medidas legais para redução dos impactos tarifários para as famílias do Estado e para restabelecimento dos sistemas de distribuição, reduzindo os possíveis impactos.
Combustíveis
Dando continuidade ao trabalho do Comitê de Monitoramento da situação dos combustíveis no Rio Grande do Sul, o Ministério de Minas e Energia (MME) coordenou, nesta segunda-feira, 06 de maio, a reunião para a troca de informações e debate sobre as iniciativas necessárias para garantir os suprimentos à população gaúcha. O objetivo é, principalmente, garantir o fornecimento de gasolina, diesel e gás de cozinha (GLP), essenciais para abastecer veículos e maquinários utilizados para a prestação de socorro, assistência e resgate.
No fim de semana, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) flexibilizou os percentuais de mistura do biodiesel ao diesel. Na maior parte do estado, entretanto, tem-se mantido o mandato que é praticado em todo o país, de 14%. Apenas em alguns municípios, como Canoas, Rio Grande e Santa Maria, houve necessidade de reduzir a mistura.
Durante a reunião, presidida pelo secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes, foi abordada a necessidade de uma força-tarefa de escoamento. Pelo fato de muitas rotas estarem com a infraestrutura comprometida ou inundadas, o grupo avalia as rotas que podem ser utilizadas para a distribuição desses combustíveis.
Outro ponto apresentado foi a dificuldade de manutenção das operações, pois grande parte da força de trabalho das refinarias e distribuidoras foi afetada pelos fortes temporais que atingem o estado desde a última semana.
Alguns postos de combustíveis estão operando com limitação de venda por consumidor para priorizar o abastecimento de viaturas e veículos usados para assistir os desabrigados e aqueles que necessitam de resgate. Nesta segunda, durante fiscalização da ANP em 29 postos, 17 estavam sem combustível.
Nesta terça, o monitoramento ficou focado nas atividades da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, e distribuição do gás de cozinha, que enfrenta dificuldades no envase em botijões e desafios logísticos.