Anace: acordo com Paraguai poderia ser melhor
Da Redação, de Brasília (com apoio da Anace) —
Em diversas ocasiões, o governo federal tem manifestado preocupação quanto ao problema do custo elevado da energia no país. Na hora de agir, no entanto, perde as oportunidades de realmente enfrentar o problema, como foi o caso do acordo sobre a usina de Itaipu, anunciado ontem, com o Paraguai.
A avaliação é do diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, tendo em vista a manutenção, até 2026, dos valores cobrados pela energia da usina dos consumidores brasileiros conectados às distribuidoras cotistas de Itaipu.
“O financiamento para a construção da usina já foi amortizado. Não faz sentido, portanto, que os brasileiros continuem pagando o mesmo valor pela energia como se o financiamento continuasse em vigor”, avalia Faria. A Associação também critica a falta de transparência das negociações conduzidas nos últimos meses com o país vizinho.
Além da preocupação direta com o custo da energia, superior ao de operação e manutenção da usina, a Anace vê como muito grave o fato de recursos do orçamento de Itaipu continuarem sendo destinados a outros propósitos que não têm nada a ver com as suas atividades.
Nesse sentido, nesta semana foi anunciado que a usina destinará R$ 1,3 bilhão para melhoria na infraestrutura da cidade de Belém (PA), que deve sediar a COP30. “Parece até irônico os dois anúncios terem acontecido na mesma semana”, destaca Faria, acrescentando que certamente a realização de um evento do porte e da importância da COP deve demandar apoio público. “Mas esse apoio não cabe de maneira nenhuma aos consumidores de energia”, conclui.