Paraguaios desanimam com preços ofertados
Maurício Corrêa, de Brasília —
Final de semana, véspera de feriado nacional no Brasil e, quando já se achava que não ia acontecer mais nada de importante no setor elétrico brasileiro, este site teve acesso à informação ainda não oficial, vinda de Assunção, dando conta dos nomes das sete entre as 11 comercializadoras brasileiras que tiveram as suas propostas analisadas pela Administración Nacional de Electricidad (Ande) para venda de energia elétrica ao mercado livre brasileiro. Houve um desencanto com os preços ofertados, o que tem o risco de inviabilizar a licitação.
Segundo apurou este site as propostas oferecidas pelas empresas brasileiras foram feitas em dólares. Este site usou a cotação de R$ 5,50 por unidade da moeda americana, para poder comparar com os preços da energia elétrica praticados no Brasil:
1. Enel Trading Brasil – US$ 10,11 por MWh, pelo período de 01 de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2026 (R$ 55,60 por MWh);
2. Matrix Comercializadora – US$ 12,00 por MWh, pelo período de até três anos, com mínimo de um ano (R$ 66,00);
3. Infinity – US$ 21,03 por MWh, pelo período de seis anos (R$ 115,66);
4. Ambar – US$ 10,33 por MWh, pelo período de seis anos (R$ 56,81) ;
5. Engelhart – BTG Commodities – US$ 7,73 por MWH, pelo período de três anos (R$ 42,51);
6. Kroma – US$ 8,68 por MWh, pelo período de seis anos (R$ 47,74);
7. Vitol Power Brasil – US$ 8,66 por MWH, no período de 01 de janeiro de 2025 até 31 de dezembro de 2030 (R$ 47,63).
O “Paranoá Energia” apurou que os valores ofertados pelas empresas brasileiras produziram um curto circuito dentro da Ande, em Assunção, pois, na empresa paraguaia (que equivale à antiga Eletrobras estatal, sendo responsável pela geração, transmissão, distribuição e comercialização da energia elétrica em território paraguaio) surgiram vozes que consideram melhor não homologar esses valores, pois estão totalmente em desacordo com o que é praticado no mercado brasileiro. Os paraguaios teriam ficado decepcionados com os valores oferecidos.
De fato, entre especialistas brasileiros ouvidos pelo site esses valores ofertados foram considerados muito baixos, até porque o Brasil compra energia elétrica do Paraguai por um preço relativamente decente, em torno de US$ 20,00 por MWh.
““Porque formularam esses preços é difícil dizer. Parece brincadeira. É verdade que o edital era meio confuso, o que até afastou empresas brasileiras que tinham algum interesse em participar da licitação. O fato é que as ofertas formuladas pelas sete comercializadoras são absurdamente ridículas. A intenção certamente não foi essa, mas a Ande foi menosprezada e os seus administradores sentiram o golpe. Acredito que essa licitação não vai para a frente e não vai acontecer nada”, afirmou uma fonte, que, em São Paulo, se preparava para o final de semana com a família, no interior do estado.
Em 26 de julho passado, a Ande realizou a abertura das propostas das empresas interessadas em comercializar energia elétrica paraguaia no mercado livre brasileiro.
Além das sete empresas que tiveram as propostas avaliadas pela Ande, foram anunciados os nomes de mais quatro comercializadoras que demonstraram interesse na licitação e encaminharam os envelopes: Inpasa, Mercosul Energy, RZK e Bolt. Em seguida, um Comitê de Avaliação do Concurso de Preços examinou os envelopes número dois, procedendo à abertura das respectivas propostas.
NR: no início da noite da sexta-feira, 06 de setembro, a Ande divulgou, em sua página na internet, os dados antecipados acima pelo “Paranoá Energia”, confirmando-os.