Seca se intensifica e CMO explode a R$ 346,13
Maurício Corrêa, de Brasília (com informações do ONS) —
O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa entre os dias 07 e 13 de setembro apresenta projeções abaixo de 50% da Média de Longo Termo (MLT) para a Energia Natural Afluente (ENA) em todos os subsistemas.
O Sudeste/Centro-Oeste, região que concentra 70% dos reservatórios de maior interesse do Sistema Interligado Nacional (SIN), deve registrar, ao final do mês, 49% da MLT. Se confirmado, o indicador será o mais baixo para o mês em toda a série histórica de 94 anos.
Para as demais regiões, os percentuais esperados são: 49% da MLT no Norte, também o menor do histórico para este submercado; 43% da MLT no Nordeste; e 36% da MLT no Sul.
A afluência abaixo da média vem sendo um ponto de atenção desde dezembro de 2023. Porém, segundo o ONS, o Sistema Interligado Nacional (SIN) dispõe de recursos suficientes para atender as demandas de carga e potência da sociedade.
Os cenários prospectivos apontam para avanço na demanda da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) e em três subsistemas. A revisão mais recente mostra uma expansão do SIN acima do prevista na semana anterior, com crescimento de 1,5% (78.367 MWmed). A região Norte deve registrar o aumento mais expressivo: 6,3% (8.179 MWmed).
Os demais submercados têm as seguintes estimativas: o Nordeste, com 4% (13.155 MWmed), Sul com 3,7% (13.102 MWmed). O Sudeste/Centro-Oeste é o único com possibilidade de queda na demanda de carga: 0,7% (43.931 MWmed). Os percentuais comparam os resultados para o final de setembro de 2024, ante o mesmo período do ano passado.
As perspectivas para a Energia Armazenada (EAR) em 30 de setembro são de que dois subsistemas estejam com patamares superiores a 50%: o Norte (74,6%) e o Nordeste (50,7%). Os percentuais do mesmo indicador estimados para o Sudeste/Centro-Oeste e para o Sul são de 47,4% e 43,9%, respectivamente. Os níveis dos reservatórios estão dentro do esperado para o período tipicamente seco.
O Custo Marginal de Operação (CMO) é o mesmo em todas as regiões: R$ 346,13. Trata-se de um aumento expressivo em comparação com a semana anterior, quando o CMO estava fixado em R$ 277,76. Na outra antes dessa, era R$ 94,25. Essa evolução fulminante do valor do CMO reflete a escassez de água nos reservatórios, devido à intensidade da seca.
Só a título de comparação, na última semana de fevereiro, quando o período úmido estava no auge e os reservatórios estavam repletos de água, o CMO, depois de 14 meses, ficou com valor diferente de zero pela primeira vez no período, sendo fixado em R$ 0,06. A partir daí, quando se mergulhou aos poucos no período seco, a maré virou e hoje o CMO está cotado nesse astronômico valor de R$ 346,13.
De um modo geral, os operadores do mercado elétrico já aprenderam essa manha e sabem jogar o jogo considerando essas características sazonais do clima. Mais chuva significa reservatórios cheios de água e preços baixos para a energia elétrica. Menos chuva, ao contrário, representa reservatórios vazios e preços altos. Essa é a equação básica do modelo brasileiro, p0is a água guardada nos reservatórios é sinônimo de energia na prateleira. Quem não faz as contas corretamente, está condenado ao prejuízo e alguns até à falência.