ONS muda restrições operativas
Maurício Corrêa, de Brasília (com informações do ONS) —
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidiu alterar, a partir desta terça-feira, 17 de setembro, a metodologia dos processos de restrição aplicados na geração eólica e solar. Na linguagem oficial do ONS, a mudança tem como objetivo “a busca contínua pelo aprimoramento de seus processos e metodologias” visando “a segurança do Sistema Interligado Nacional – SIN. A medida trará maior confiabilidade para o SIN e possibilitará que essas restrições, quando necessárias, não fiquem concentradas em alguns conjuntos de geradores e/ou regiões”.
Segundo o Operador, as restrições de geração acontecem devido a situações do sistema que exigem o atendimento de uma limitação na rede de transmissão. Atualmente, pela metodologia utilizada, a decisão sobre qual gerador será aplicada a medida de restrição baseia-se no fator de sensibilidade, ou seja, no impacto daquela restrição na redução de carregamento no ativo de transmissão (linhas de transmissão e/ou transformadores) sob análise na região.
Com a evolução da metodologia, o ONS continuará considerando o fator de sensibilidade, porém passará a considerar um conjunto maior de geradores agrupados em função do impacto semelhante no fluxo de potência que precisa ser controlado, diz um comunicado distribuído pelo ONS na tarde desta segunda-feira.
A nova metodologia será aplicada, inicialmente, nos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará em razão dos benefícios para aprimorar a segurança elétrica desses dois estados. Uma vez implementada, ao evitar a concentração das restrições em um único ponto, seus resultados serão avaliados nos meses subsequentes sob a ótica do aumento da confiabilidade e da otimização eletroenergética.
Após essa etapa, o ONS continuará trabalhando para avaliar a expansão da utilização dessa metodologia para as outras regiões do sistema, buscando o aprimoramento da segurança e a maximização do uso dos recursos disponíveis das fontes renováveis variáveis.
O ONS tem estado sob intensa pressão de geradores eólicos e fotovoltaicos, que tem reclamado abertamente do Operador devido às restrições operativas por conta das limitações das redes de transmissão, o que ocorre principalmente na região Nordeste.
A empresa francesa Voltalia foi uma empresa que não se negou a criticar o ONS, inclusive no comunicado sobre o seu balanço, alegando que seus resultados estavam comprometidos pela ação restritiva do Operador brasileiro. Em 19 de agosto, a Voltalia distribuiu um comunicado à imprensa, alegando que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), na sua visão, está impondo uma restrição pronunciada em certas partes da rede, o que teria um forte impacto nos resultados financeiros de 2024 da empresa, “se for estendido nos próximos meses e se não for compensado financeiramente. A Voltalia está realizando uma série de ações para reduzir a duração dessa restrição e ser compensada financeiramente”.
O “curtailment“, que ocorre quando um operador como o ONS limita o transporte da energia produzida por um determinado gerador, em nome da necessidade de manter a estabilidade do sistema, tem naturalmente efeitos danosos para esses geradores afetados pelas restrições operativas. No caso da Voltalia, a empresa anunciou um impacto de até 40 milhões de euros sobre o Ebitda no exercício de 2024.
“No Brasil, como em outras grandes redes elétricas globais, este tipo de corte tem sido raro nas últimas décadas. No entanto, após um apagão em agosto de 2023, o operador brasileiro começou a limitar uma parte anormalmente alta da produção para minimizar os riscos de instabilidade. À medida que a rede se mostrou estável, o corte diminuiu gradualmente até se tornar marginal no final de 2023”, assinala o comunicado da Voltalia.