Cenário cruel: energia cara e consumo em alta
Maurício Corrêa, de Brasília (com informações do ONS) —
O boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa que vai do dia 28 de setembro a 04 de outubro traz os primeiros cenários para o mês que vem. Como a região Sudeste atravessa o momento mais crítico do período seco, o Custo Marginal de Operação (CMO) explodiu e foi definido pelo ONS em R$ 624,81, aproximando-se perigosamente do PLD Máximo Estrutural de 2024, que é de R$ 716,80 por MWh.
Em português, isto significa que a seca é intensa e que as hidrelétricas estão a perigo. É uma situação que poderá mudar nas próximas semanas, quando se estima que começará a chover com vontade no Sudeste. Por enquanto a situação é preocupante. E quem não soube fazer as contas em relação ao preço futuro da energia elétrica, já pode contratar um bom advogado pois ficará difícil pagar as contas.
O Operador informou, no final da tarde da última sexta-feira, que a Energia Natural Afluente (ENA) ao final de outubro deve estar abaixo da Média de Longo Termo (MLT) em todos os subsistemas. A região Sul tem a perspectiva mais elevada: 86% da MLT. Para as demais, as previsões são inferiores a 50%: Sudeste/Centro-Oeste, 43% da MLT; Norte, 38% da MLT; e o Nordeste, 33% da MLT.
“As projeções para o próximo mês permanecem com afluências abaixo da média nas principais bacias. Esse fator combinado com a expectativa de temperaturas mais elevadas do que o histórico para o mês de outubro deixa o SIN mais pressionado, principalmente nos horários da ponta de carga. No entanto, as condições dos reservatórios são compatíveis com o período e o sistema dispõe dos recursos necessários para o atendimento da demanda”, afirma Christiano Vieira, diretor de Operação do ONS.
O que o diretor do ONS quis dizer é o seguinte: não vai faltar energia, pois o Brasil conta com um sistema de termelétricas que resolve qualquer problema de falta de água nas hidrelétricas. Ele não comentou, pois não é o trabalho dele, é que os preços da energia elétrica, nesse contexto de utilização das térmicas, vão para as nuvens. Os consumidores devem preparar os bolsos.
As perspectivas para os níveis de Energia Armazenada (EAR) ao final de outubro indicam que dois submercados devem superar 50%: Norte (61,8%) e Sul (53,7%). Para o Nordeste, o índice projetado para o último dia do mês é de 44,2% e no Sudeste/Centro-Oeste está em 39,9%.
Como miséria pouca é bobagem, o relatório semanal do Operador também mostra que, ao mesmo tempo que a energia ficará mais cara, a carga, ou seja, o consumo, continuará crescendo. É uma equação sempre fechada com muita dificuldade. E o vilão do momento é o ar condicionado, pois com o calorão que afeta o País quase todo, seria muito masoquismo viver sem ele.
“Os cenários prospectivos para a demanda de carga são de aceleração, tanto no Sistema Interligado Nacional (SIN), como em todas as regiões. O crescimento no SIN deve ser de 4,7% (82.095 MWmed). Entre os submercados, a expansão mais expressiva deve ser registrada no Norte, 10,4% (8.488 MWmed); seguido pelo Sudeste/Centro-Oeste, 4,8% (46.809 MWmed). Os avanços no Sul e no Nordeste podem chegar a 2,9% (13.122 MWmed) e 2,8% (13.676 MWmed), respectivamente. Os números são comparações entre as estimativas de outubro de 2024 ante o verificado no mesmo período de 2023”.