ONS: SEB não está preparado para receber H2V
Maurício Corrêa, de Brasília —
O que teria levado o ONS a divulgar uma nota oficial, num final de tarde/inicio da noite de um domingo, garantindo que não há risco iminente de um apagão no Brasil? Este site arrisca uma resposta. Provavelmente foi o medo do uso político da palavra apagão, pois faltam apenas 1 ano e 8 meses para a próxima eleição e, na política, o tempo voa.
Os governos do PT, inclusive o atual, sabem que, no sentido figurado, pode faltar açúcar, pode faltar carne, pode faltar pão, pode faltar segurança (e falta muita) ou pode faltar saúde (também falta muita). Mas não pode faltar energia elétrica ou combustíveis, pois isso gera uma situação que derruba governos ou elege a oposição.
O PT sabe muito bem disso e já usufruiu dessa situação. O presidente Lula se elegeu no primeiro mandato, entre outras razões, em consequência do racionamento de 2001/2002. Quando foi para a eleição, o candidato do governo que havia aplicado o racionamento (José Serra) não teve qualquer chance e a hora do Lula receber a faixa presidencial havia chegado.
É por isso que o ONS utilizou munição da pesada para matar elefante e atirou numa joaninha, a qual se metamorfoseou numa notinha publicada numa coluna dominical de um jornal do Rio de Janeiro.
É verdade que é uma coluna muito lida, num dos jornais mais influentes do País. Entretanto, era um dia carioca típico, em que as pessoas estavam pensando em futebol, praia e no carnaval que se aproxima. Ninguém estava muito interessado em energia elétrica, até porque não há a menor chance de se repetir o racionamento de 2001/2002, pelo menos na forma como ocorreu.
Aquele racionamento foi uma mistura de lambança e falta de sorte do PSDB, que era o partido no Governo. Havia máquinas para gerar energia elétrica, só não havia água em quantidade suficiente nos reservatórios. Somando uma condição técnica à gestão calamitosa que levou ao racionamento, não deu outra coisa. O País simplesmente foi desligado e ficou no breu. Uma vergonha.
No próprio ambiente do setor elétrico, os especialistas sabem que o sistema hoje está relativamente bem e mesmo que os reservatórios não tenham água guardada em volume suficiente para rodar todas as turbinas de hidrelétricas do Brasil, é para isso que o País conta com um forte sistema de térmicas a gás natural, o que não existia em 2001, quando as térmicas eram poucas
Embora existam uns alucinados que sejam contra a existência das térmicas, elas agem no sistema elétrico como uma espécie de apólice de seguro. Faltou água nas hidrelétricas, aciona-se as térmicas. Simples assim.
Apagão é uma espécie de palavrão para petistas. O setor elétrico usa máquinas e máquinas, sempre é bom lembrar, quebram, precisam de manutenção, precisam ser desligadas. Além disso, agora existem os cuidados operativos com as energias renováveis, pois ninguém duvida que elas vieram para o bem e para o mal.
O bem todo mundo conhece e o meio ambiente agradece. Mas o mal, no caso, é que são difíceis de serem controladas pelos operadores do mundo inteiro, que ainda estão aprendendo como lidar com os blocos de eólicas e usinas solares que são jogados no sistema elétrico. Então, é lógico que podem ocorrer apagões técnicos, que têm mais relação com o acaso do que com a gestão do sistema.
Os cuidados do PT com a questão de um possível apagão transcendem o próprio Ministério de Minas e Energia, onde o ministro Alexandre Silveira toca uma espécie de pauta paralela, centralizada na transição energética. Os ideólogos do PT na área de energia torcem o nariz para esse negócio meio estranho, mas não brigam com o ministro. Eles o deixam meio de lado e estão atentos à indiscutível pauta do PT, que é evitar qualquer tipo de apagão. Antes de qualquer coisa, é fundamental manter a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. É para isso que existe o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS.
Nesse contexto, explica-se a nota de esclarecimento do Operador liberada neste domingo. O principal compromisso do Operador é com a saúde do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Tudo isso é tão caro para os pitbulls do PT na área de energia elétrica que, durante o primeiro governo da presidente Dilma, houve muitas transferências de blocos gigantescos de energia elétrica para o Sul do País, no limite da responsabilidade e de todas as normas de segurança, exatamente para abastecer o Extremo Sul e ninguém poder dizer que havia ocorrido um apagão num Governo do PT. Felizmente deu certo, mas foi uma operação arriscada, monitorada pelo ONS nos mínimos detalhes.
É por isso que, hoje, olhando para a nota oficial do ONS e para o fato que a gerou, é possível imaginar que o sistema de transmissão de energia elétrica e o planejamento do setor elétrico estão dançando num ritmo diferente do que é imposto pelo Ministério de Minas e Energia, cuja preocupação básica é essa salada chamada transição energética.
Enquanto o MME (leia-se também marketing originário do Palácio do Planalto) toca alguma coisa mais parecida com o bumbo numa marcha militar alemã, as áreas técnicas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) parecem estar num compasso de samba-canção, devagar quase parando.
Mas se os técnicos mostram alguma letargia, isto não significa que nas entranhas do ONS eles não estejam acordados e prestando atenção em tudo o que acontece no SEB.
Em contraponto ao Palácio do Planalto e ao Ministério de Minas e Energia, que estão mais interessados em transformar qualquer coisa em ações de marketing, um documento da área de Planejamento do ONS chamado “Plano da Operação Elétrica de Médio Prazo do SIN”, assinala discretamente que a introdução do hidrogênio verde e dos chamados data centers seria um problema em termos de energia elétrica. Hoje, o Brasil simplesmente não está preparado para receber no seu sistema elétrico o impacto dos novos gigantescos blocos de carga gerados para esses projetos.
Na avaliação do tal plano, as novas tecnologias são positivas para o processo de desenvolvimento, mas representam enorme desafio para o SEB, ou seja, é preciso ter cuidado com elas, pois o sistema não está em condições de recebê-las. É claramente um sinal de “disclaimer” da parte dos técnicos do ONS, que parecem querer dizer: não temos nada com isso. Ou: estamos avisando que vai dar m…Ou mais claramente: o Operador não é responsável por isso.
A questão é que hoje existem dois ONSs dentro do mesmo Operador. A cúpula, destituída de experiência na Operação, manda numa área técnica que está careca de fazer o seu trabalho, mas não concorda muito com os rumos que a Operação tomou na atual gestão do ministro Alexandre Silveira.
Este chegou ao extremo de indicar um especialista em História para ser diretor do ONS. A situação é tão constrangedora, que o cidadão simplesmente sumiu. Alguns dizem que vive mais em Brasília, trabalhando para o ministro no MME, do que na sede do Operador, no Rio. Pode ser uma fofoca, mas tem lógica. Não é maldade deste editor, mas o nome desse diretor sequer é lembrado, e é preciso entrar na internet para descobrir quem é.
Todo o cuidado da área técnica do ONS tem razão de ser. As energias eólica e solar fotovoltaica simplesmente explodiram no Brasil e, por falta de planejamento adequado, geradoras localizadas principalmente no Nordeste sofrem restrições operativas da parte do ONS, pois a rede de transmissão não comporta de forma adequada toda e energia renovável introduzida no sistema. E quem paga o pato é justamente o ONS.
Agora, o Operador diz que a mesma coisa poderá se repetir com a entrada no mercado de grandes data centers e do chamado hidrogênio verde.
Através do documento, os técnicos do Operador revelam que estão atentos ao advento das novas tecnologias.
“A inserção de grandes blocos de carga representa para o SIN um novo grande desafio de diferentes naturezas: tecnológica, operativa, de planejamento e de implantação da solução de transmissão e regulatória”, diz o plano de operação elétrica de médio prazo do ONS.
E frisa:
“Com o avanço das metas de descarbonização tanto para os sistemas de energia elétrica quanto para a economia em geral, torna-se evidente que os sistemas elétricos do futuro serão significativamente diferentes dos atuais. Esses sistemas demandarão cada vez mais diversos recursos de flexibilidade para equilibrar a oferta e a demanda, além de manter a confiabilidade, à medida que a participação da geração eólica e solar aumenta. Embora a prestação de serviços de flexibilidade não seja a principal função das plantas de hidrogênio verde, há um grande interesse em compreender o papel estratégico do H2V na oferta de flexibilidade e suporte aos sistemas elétricos do futuro”, reconhece o documento preparado pela área de Planejamento do ONS.
Isso é uma verdade. No sistema elétrico do futuro, projeta-se uma carga, no Brasil, da ordem de 120 GW para o ano de 2029, que corresponde ao crescimento de 12% quando comparada à máxima carga, não coincidente, verificada em 2024. Não é pouca coisa.
Por outro lado, para o final de 2028, estima-se que a capacidade instalada do SIN totalizará 251,6 GW, sendo que desse montante cerca de 57,6 GW serão de usinas eólicas e fotovoltaicas centralizadas, segundo dados do PMO de novembro/2024.
Se forem consideradas as usinas com o Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (Cust) assinado, a capacidade instalada do SIN totalizará em torno de 270,4 GW em 2028 e a participação de usinas eólicas e fotovoltaicas centralizadas chegará a valores de 79,8 GW.
É troço prá burro e é isso que faz os técnicos de planejamento do ONS tremerem nas bases. A responsabilidade deles é fazer o sistema funcionar e não faltar energia. Eles não estão interessados na política partidária ou no marketing do governo para o SEB, se vai governar esse ou aquele presidente, se o ministro será fulano ou beltrano. Só que quando olham para Brasília, dá um certo desânimo, pois o mundo da política marcha em descompasso com o mundo dos engenheiros que trabalham na Operação.
Não é preciso pensar em 2029 para ficar preocupado. O que já existe hoje é o suficiente. E o pesadelo tem nome e sobrenome: MMGD – Micro e Mini Geração Distribuída. Atualmente, a capacidade instalada de MMGD ultrapassa a marca de 33 GW e apresenta uma projeção de mais de 49 GW em 2029. Se a projeção se confirmar, essa modalidade será a segunda maior fonte de geração no País, ficando atrás apenas da hidrelétrica.
Ninguém duvida que a MMGD será um dos pilares que conduzirão o desenvolvimento econômico no Brasil. Mas, como já ocorre hoje, “ela impõe desafios consideráveis à operação do sistema elétrico, dentre os quais destacam-se a necessidade de maior flexibilidade operativa, a gestão de restrições na rede de transmissão e o suporte para o desempenho dinâmico do sistema”, argumentam os técnicos do Operador.
Os técnicos do ONS entendem que num cenário de expansão da geração conectada diretamente às redes de distribuição é necessário que as distribuidoras assumam um papel mais ativo, atuando como operadores dos sistemas de distribuição e de forma coordenada com o ONS.
“Essa atuação é essencial para garantir a eficiência e segurança da operação do SIN em um contexto de crescente descentralização dos recursos de geração”, destaca o documento.
O site “Paranoá Energia” gostaria de testemunhar essa operação compartilhada entre o Operador e as distribuidoras”, embora desconfie que possa não acontecer. Muitas distribuidoras ainda vivem na Idade da Pedra e atuam exatamente como há 30 anos atrás.
A crescente demanda por energia elétrica, impulsionada pela expansão de setores como Hidrogênio Verde e Data Centers, apresenta oportunidades e desafios para o Setor Elétrico Brasileiro.
“Em um cenário de economia globalizada e comprometida com a descarbonização, a vasta oferta de geração renovável no Brasil tem despertado um significativo interesse de investidores internacionais que, em parceria com empreendedores locais, vislumbram o Brasil como um polo estratégico para a implantação desses projetos. Essas cargas, que variam de centenas de MW a unidades de GW, tendem a apresentar um perfil de consumo constante ao longo do dia, sem modulação, e possuem intenção de se conectarem nos próximos anos”, salientam os técnicos do ONS.
Mas ressalvam:
“No entanto, a integração desses grandes blocos de carga exige um planejamento cuidadoso devido a uma série de desafios complexos, que envolvem aspectos tecnológicos, operacionais, de planejamento, financeiros, regulatórios e de formulação de política pública”.
Como parte desse esforço, uma lista de ações é proposta para enfrentar as demandas iniciais de integração, sendo destacada a necessidade de aprimoramentos em todo o processo de conexão de grandes blocos de carga, para suportar a segurança e a eficiência do sistema diante das rápidas transformações em curso.
Para os técnicos do Operador, são necessários cuidados mais do que especiais com os projetos de hidrogênio verde e de data centers.
“A integração de elevados montantes de demanda, sem um sistema de transmissão planejado especificamente para suportá-los, configura-se como um desafio adicional para o Setor Elétrico Brasileiro, até que o planejamento da expansão incorpore essas projeções, utilizando a melhor modelagem de carga possível, em seus estudos”, diz o documento.
Os técnicos não duvidam que a integração de grandes consumidores ao SIN apresenta uma série de desafios complexos, que envolvem aspectos tecnológicos, operacionais, de planejamento e de natureza regulatória.
“As solicitações de acesso ao ONS para conexão de grandes plantas de produção de hidrogênio na região Nordeste têm se concentrado em áreas com alta presença de eletrônica de potência, sobretudo fontes eólicas e fotovoltaicas, além de um bipolo já licitado (bipolo CCAT 800 kV Graça Aranha-Silvânia). Um novo bipolo CCAT também está em estudo na região no âmbito do planejamento da expansão. Portanto, torna-se imprescindível avaliar a integração dessas cargas e seus reflexos na operação de uma região dominada por recursos baseados em inversores. Esse é um dos principais desafios atuais, pois, embora os projetos estejam em fases iniciais, têm metas de entrada em operação no horizonte do PAR/PEL 2024”, acrescenta o documento.
“No entanto, não há atualmente nenhuma ampliação ou reforço previsto no sistema de transmissão exclusivamente para a integração desses volumes de carga”. Ou seja, a chance de se repetir com os projetos de H2V e de data centers a mesma dificuldade que atravessam hoje projetos solares e eólicos no Nordeste é muito alta.
Os técnicos que trabalharam no documento do Operador lembraram que houve um apagão, em 15 de agosto de 2023, que mostrou que o controle dinâmico de tensão e o suporte de potência reativa das usinas eólicas e fotovoltaicas foram significativamente inferiores ao esperado, conforme indicado nos modelos matemáticos fornecidos pelos agentes. Resultado: para o ONS, a energia renovável localizada no Nordeste foi responsável pelo apagão.
Em seguida, o Operador fez várias mudanças para tentar ajustar o modelo à existência das energias renováveis em grande volume. Os intercâmbios foram reduzidos e passaram a existir restrições locais de geração, visando manter a confiabilidade no Sistema Integrado. É isso que se teme acontecer no futuro com a chegada do hidrogênio verde e a implantação dos data centers.
Essa é uma questão fundamental para se entender o papel do ONS, que exerce um papel rigorosamente técnico. Na hora que, por algum motivo, falta energia (tipo um apagão), todo mundo lembra do ONS.
Quanto aos cenários energéticos do SIN, esses vêm se alterando consideravelmente, em virtude da mudança significativa que está ocorrendo na matriz elétrica do Brasil com o aumento da penetração das fontes eólicas e solares e a redução da penetração hidrelétrica.
Dessa forma, a região Nordeste (que sempre foi uma espécie de patinho feio) passou a ser exportadora de energia tanto para a região Norte como para a região Sudeste/Centro-Oeste praticamente o ano inteiro.
No período úmido que acontece durante o primeiro semestre do ano, a região Norte soma-se à região Nordeste passando a exportar energia para a região Sudeste/Centro-Oeste.
Outro aspecto que não se pode desconhecer em relação aos limites elétricos inter-regionais é a natureza variável das novas fontes renováveis. Esse fato traz um desafio para a operação do sistema devido à dificuldade de sua controlabilidade e a exigência de um curtíssimo prazo para realizar o balanço entre oferta e demanda de energia.
Nesse cenário, o sistema de transmissão é protagonista na transição do horário diurno e noturno, que possibilita a exploração da transferência de energia das Regiões Norte/Nordeste para as regiões Sul/Sudeste/Centro-Oeste, minimizando o custo da operação. Uma rede forte e intensamente interligada, na visão dos planejadores do ONS, suaviza a variabilidade das fontes pelo benefício inerente da agregação de plantas de produção renováveis variáveis em grandes áreas geográficas.
Um estado que mostra vulnerabilidade, nesse contexto, é a Bahia, onde o ONS identificou a possibilidade de colapso de tensão em situação de contingência de linhas de transmissão em 500 kV localizadas na região oeste do estado. Minas é outro estado complicado, no curto prazo. Inclusive o ONS vem negando acesso para novos geradores no Estado.
Essa situação ocorre devido ao elevado montante de geração eólica e fotovoltaica na região, além do fato da malha de transmissão da Bahia ser caminho para escoamento de geração entre os demais estados do Nordeste e o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.
O Operador busca saídas para esses dilemas mais do que existenciais. Uma delas consiste no escoamento da geração atrás de obras licitadas nos leilões de transmissão, que deverão entrar em operação até 2030.
“Atualmente, de modo a contornar possíveis colapsos de tensão, vem sendo monitorados e controlados fluxos na região que mitigam a possibilidade de problemas dessa natureza”, assinala o documento.
O pessoal técnico do Operador não é contra o hidrogênio verde ou os data centers e deixa isso muito claro, quando o documento alega que “dada a importância estratégica do hidrogênio verde para a transição energética e para a competitividade do Brasil no mercado global, torna-se imprescindível adotar uma abordagem multissetorial e integrada. Essa abordagem deve envolver agentes e instituições do setor elétrico, indústrias consumidoras, desenvolvedores de projetos, parceiros internacionais e instituições governamentais, visando alinhar as premissas de planejamento às demandas reais e às oportunidades de mercado. Além disso, é crucial minimizar os custos de arrependimento para o setor elétrico, evitando tanto investimentos insuficientes quanto superdimensionados, que possam comprometer a eficiência e segurança da operação do sistema ou resultar em custos excessivos e desnecessários para o consumidor de energia elétrica”.
No caso das cargas de hidrogênio verde, por exemplo, os técnicos do ONS entendem que é necessário dar atenção especial aos estudos de estabilidade, pois o desempenho da rede elétrica será fortemente influenciado pela tecnologia utilizada nas plantas. E ainda existem grandes incertezas a respeito das tecnologias que serão vencedoras eempregadas em larga escala no futuro.
Além disso, a demanda elevada e contínua dessas cargas exige que a rede de transmissão seja planejada para atender a esses consumidores em diferentes cenários energéticos.
“É importante destacar que os mercados de hidrogênio verde e data centers são emergentes e que uma das principais dificuldades no planejamento é definir, no escopo dos estudos, as demandas que precisarão, de fato, ser atendidas. Outro aspecto relevante é o curto tempo de implantação dos data centers, que não é compatível com os prazos de elaboração dos estudos e execução das obras de transmissão, atualmente de aproximadamente 48 meses. Embora o tempo para implantação das plantas de hidrogênio verde seja mais longo que o dos data centers, o volume de obras de expansão deve ser maior, considerando a escala dessas cargas. Em ambos os casos, há uma grande possibilidade de descasamento entre a conexão das cargas e as obras de transmissão associadas. Reduzir essa assimetria e mitigar os riscos relacionados será um grande desafio para o setor”.