Haja coração com a gangorra do CMO
Maurício Corrêa, de Brasília (com informações do ONS) —
Entusiasmados, os gênios matemáticos que operam no ONS com a missão de definir os valores do CMO estão trabalhando a todo vapor. Quem está no dia a dia do mercado e acredita exclusivamente no que dizem os gênios, deve estar quase infartando, pois a gangorra do CMO está balançando que é uma beleza. Há duas semanas, o CMO estava em quase R$ 400,00, no Sudeste e Centro-Oeste, o que era mais ou menos esperado devido à ao final do período chuvoso e à proximidade do período seco. Porém, como gênio é gênio, neste sábado, dia 29 de março, o Operador fixou o CMO em R$ 245,18, no Sudeste/Centro-Oeste, enquanto no Sul ficou em R$ 246,64. No Norte/Nordeste permanece zerado.
Segundo o relatório semanal da Operação, o que justifica a desaceleração do CMO (já havia caído para R$ 380,00 na semana passada) é o regime de chuvas. Na semana de 22 a 28 de março, por exemplo, houve precipitação nas bacias dos rios Paranaíba, Tocantins, Xingu, Tapajós, Madeira e na cabeceira do rio São Francisco. Na semana de 29 de março a 04 de abril, o Operador prevê a ocorrência de precipitações nas bacias dos rios Uruguai, Jacuí, Tapajós e Madeira.
Os valores constam do boletim do Programa Mensal da Operação (PMO) para a semana operativa entre os dias 29 de março e 04 de abril, que apresenta perspectivas de afluência abaixo da média em abril em todo o país, apesar de apresentarem ligeira melhora em relação à revisão anterior. O subsistema que registra a ENA mais alta é o Norte, com 84% da Média de Longo Termo (MLT). Na sequência, estão o Sudeste/Centro-Oeste, 67% da MLT; o Sul, 58% da MLT; e o Nordeste, 24% da MLT.
“As estimativas de afluência confirmam aquilo que o Operador destacou nas últimas semanas, o final antecipado do período de chuvas. Continuamos monitorando todos os cenários com atenção e vamos seguir atendendo plenamente as demandas de energia”, afirmou Marcio Rea, diretor-geral do ONS, no comunicado disponibilizado na internet.
As perspectivas de Energia Armazenada para o final de abril indicam que os níveis dos reservatórios de três subsistemas podem superar 60%: Norte (97,6%), Nordeste (75,1%) e Sudeste/Centro-Oeste (67,3%). Para a região Sul, a projeção de EAR em 30 de abril é de 36,5%.
“A ocorrência de precipitação no mês de março não foi suficiente para recuperar os volumes de água que vêm sendo registrados abaixo da média desde fevereiro, exceto na bacia do rio Madeira que apresentou índices superiores. O ONS tem adotado uma política operativa de preservação dos recursos hídricos dos subsistemas já se antecipando aos próximos cenários no período seco”, reforçou Christiano Vieira, diretor de operação do ONS.
O cenário prospectivo para a demanda de carga é de expansão no Sistema Interligado Nacional (SIN) e em todos os subsistemas. O crescimento de carga no SIN pode chegar a 1,9% (83.207 MWmed). Entre os submercados, as acelerações mais expressivas são projetadas no Norte, 6,4% (7.949 MWmed); e no Nordeste, 2,7% (13.659 MWmed). O avanço no Sul e no Sudeste/Centro-Oeste deve atingir 1,8% (14.180 MWmed) e 1,0% (47.419 MWmed), respectivamente. Os percentuais comparam as projeções de abril de 2025 com os resultados verificados no mesmo período de 2024.
Em relação ao CMO, o ONS destacou que “há uma expectativa de aumento da disponibilidade de geração proveniente de usinas a biomassa, bem como uma ligeira melhora das perspectivas de vazões para o curto prazo para esta semana, quando comparada com a semana anterior’. Essa é a premissa na qual os gênios matemáticos se basearam para desestressar o CMO.
Quem está gostando do CMO baixo, entretanto, deve ficar atento ao sinal amarelo emitido pelo próprio Operador em seu relatório semanal, quando diz: “Em comparação com os valores estimados para a semana em curso, prevê-se para a próxima semana operativa recessão nas afluências de todos os subsistemas. A previsão mensal para abril indica a ocorrência de afluências abaixo da média histórica para todos os subsistemas”.