SP: ainda há mais de 150 mil moradores sem luz
Maurício Corrêa, de Brasília —
Já houve apagões muito maiores do que o desta segunda-feira, 31 de março, na Grande São Paulo. Mas todo apagão tem um ritmo praticamente igual e à medida que as equipes de emergência da Enel entram em campo, a energia vai sendo restabelecida. Hoje, contudo, foi uma segunda-feira cruel. Às 16 horas, havia cerca de 280 mil pessoas no escuro. Seis horas depois, apesar de todo o esforço das equipes de emergência, nada melhorou. A Grande São Paulo continuava com a mesma quantidade de moradores sem luz e as áreas desconectadas foram apenas se modificando no mapa da área metropolitana de São Paulo.
Às 16 horas, os municípios mais impactados pelo apagão eram Embu-Guaçu, Mauá, Osasco, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Santo André (a região do ABC foi fortemente atingida pelas chuvas) e a Capital.
Às 22 horas, os municípios mais atingidos eram Diadema, Embu, Itapecerica da Serra, Mauá, Ribeirão Pires, São Bernardo do Campo, Santo André a a cidade de São Paulo. Em alguns casos, o dia foi absolutamente dramático. Ribeirão Pires, por exemplo, tinha 1.520 unidades consumidoras desconectadas da rede da Enel, por volta das 16 horas. Seis horas depois, Ribeirão Pires estava com 1.586 UCs desconectadas, ou seja, não melhorou absolutamente nada. Em termos de moradores, essas UCs representam mais ou menos algo em torno de 5 mil pessoas prejudicadas.
Em Santo André, o restabelecimento da energia ao longo do dia foi praticamente zero. Ao contrário, até subiu um pouco o número de UCs desconectadas, que, entre 16 e 22 horas, passaram de 23.319 para 24.221. Isto representa em torno de 70 mil moradores. O mesmo se repetiu na capital do Estado, que passou de 35.106 UCs para 42.631 UCs no mesmo período, ou seja, mais de 100 mil pessoas sem luz na capital do Estado mais rico da Federação.
Por volta das 17h30m, a Enel disponibilizou um comunicado na internet que, na visão deste editor, deixa transpirar um certo desânimo com essa situação estressante de todos os dias, praticamente, faltar luz para muitas pessoas na área de concessão da Grande São Paulo. “Informamos que mobilizamos antecipadamente nossas equipes para restabelecer a energia aos clientes impactados pelas chuvas”. Ponto final do comunicado. Até a própria Enel parece já estar meio desanimada diante de um roteiro que é sempre o mesmo: choveu, ventou, novo apagão.
À medida em que a noite foi avançando as equipes de emergência da Enel trabalharam fortemente para restaurar a energia elétrica no máximo de imóveis. E conseguiram bastante sucesso. Tanto que, às 23h30m, o número de moradores no escuro já havia caído para aproximadamente 150 mil, com tendência de redução durante a madrugada, dependendo do trabalho das equipes de emergência da concessionária.
Este editor não acha graça em ficar, praticamente todos os dias, escrevendo estas coisas sobre a Enel em São Paulo. Mas não há dúvida que a empresa parece ter perdido, há muito tempo, a capacidade institucional de dar a volta por cima e aparentemente está rezando para acabar logo o período chuvoso, quando a situação, então, a princípio tende a melhorar.
Enquanto isso não acontece, o site “Paranoá Energia” indica os nomes das autoridades federais que são responsáveis pelo trabalho da concessionária italiana Enel, na Grande São Paulo:
- presidente Lula;
- ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira;
- diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa;
- equipes de fiscais da área de distribuição da Aneel. Nunca conseguiram identificar problemas na concessão da Enel em São Paulo.