Pesquisa Focus indica PIB estável
A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 caiu pela terceira semana consecutiva, de 1,98% para 1,97%. O dado consta da última Pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, 31 de março. Um mês antes, estava em 2,01%. Levando em conta apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis – mais sensíveis a novidades -, permaneceu em 2,0%.
Na última quinta-feira, 27, o Banco Central diminuiu a sua estimativa para o crescimento do PIB deste ano, de 2,1% para 1,9%. O diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, explicou que a revisão é consistente com a perspectiva de moderação do crescimento, por causa da política monetária mais contracionista Mas notou que há uma incerteza maior sobre a taxa, por causa das dúvidas sobre o cenário externo e sobre o ritmo de arrefecimento da atividade.
“A incerteza sobre essa projeção aumentou, tanto pelas questões externas que a gente já discutiu, quanto pelas internas, como é que vai se dar esse processo de desaceleração”, disse Guilen, durante entrevista coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM), que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,60% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,70%. Considerando só as 31 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 1,64% para 1,60%.
A mediana para o crescimento do PIB de 2027 subiu de 1,99% para 2,0%. Um mês antes, era de 2,0%. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável em 2,0% pela 55ª semana seguida.
Selic
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0% pela 12ª semana seguida, sugerindo que os juros terão de subir mais 0,75 ponto porcentual. No último dia 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa de 13,25% para 14,25% e sinalizou uma nova alta, de menor magnitude, em maio.
Considerando apenas as 68 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária para a taxa básica de juros no fim de 2025 também permaneceu em 15,0%.
Com isso, o mercado espera que a Selic suba ao maior nível desde maio de 2006, no primeiro governo Lula, quando o Copom cortou a taxa de 15,25% para 14,75%. Nessa época, os juros estavam em queda depois de terem atingido 19,75% em maio de 2005, um dos maiores patamares do século 21.
A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela nona semana consecutiva. Mas, levando em conta apenas as 65 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, subiu de 12,50% para 12,75%.
A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela sétima semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 14ª semana consecutiva.
No último ciclo de comunicações, o Copom disse que, para além de maio, a magnitude total do ciclo será ditada pelo seu “firme compromisso de convergência da inflação” e dependerá da evolução do cenário. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na última quinta-feira, 27, que o comitê quer reunir a maior quantidade de informações possível para ganhar confiança sobre o processo de convergência.
“Querer garantir esse grau de liberdade sem um guidance significa que a gente quer continuar reunindo informações para ir analisando, reunindo essas informações a partir de um cenário de pós elevação da taxa de juros do patamar que nós temos”, disse Galípolo, durante entrevista coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM), que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).
IPCA
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 se estabilizou em 5,65%, após duas semanas de queda. Está 1,15 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Um mês antes, também estava em 5,65%. Considerando só as 57 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 5,66% para 5,64%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 31.
A projeção para o IPCA de 2026 se estabilizou em 4,50% – colada ao teto da meta -, após duas semanas seguidas de alta. Um mês antes, estava em 4,40%. Considerando apenas as 55 expectativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 4,50%.
O Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026, conforme a trajetória divulgada no Relatório de Política Monetária (RPM) na última quinta-feira, 27. A autarquia trabalha com o terceiro trimestre de 2026 como horizonte relevante da política monetária, mas o período deve mudar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 6 e 7 de maio.
O colegiado já aumentou a taxa Selic em 3,75 pontos porcentuais desde setembro, para 14,25%, incluindo uma rápida elevação de 3 pontos entre dezembro e março. Na ata da sua última reunião, do dia 19, o Copom indicou que deve elevar os juros novamente em maio, embora com uma alta inferior a 1 ponto porcentual.
A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.
A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela sexta semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 se estabilizou em 3,78%. Um mês antes, era de 3,75%.
Preços administrados
A mediana do relatório Focus para a inflação de preços administrados em 2025 permaneceu em 5,06%. Um mês antes, estava em 4,99%. A projeção para 2026 continuou em 4,28%. Quatro semanas antes, era de 4,19%.
O Banco Central espera inflação de 4,3% para os preços administrados em 2025 e de 4,2% em 2026, conforme a última edição do Relatório de Política Monetária (RPM), divulgada na quinta-feira.
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu pela terceira semana seguida, de R$ 5,95 para R$ 5,92. Um mês antes, estava em R$ 5,99. A estimativa intermediária para 2026 continuou em R$ 6,0 pela 11ª semana consecutiva.
A projeção para o fim de 2027 se manteve em R$ 5,90 pela quarta semana seguida. A estimativa intermediária para o fim de 2028 permaneceu em R$ 5,90, também pela quarta semana consecutiva.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
A mediana do relatório Focus para o déficit primário do setor público consolidado em 2025 continuou em 0,60% do Produto Interno Bruto (PIB) pela 14ª semana consecutiva. A meta fiscal é de déficit zero nas contas do governo central este ano, com tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB para mais ou para menos.
A estimativa intermediária para o déficit primário do setor público em 2026 passou de 0,66% para 0,70% do PIB, a terceira deterioração seguida. Um mês antes, era de 0,60%. O alvo do ano que vem é de um superávit de 0,25% do PIB para o governo central, também com tolerância de 0,25 ponto para mais ou para menos.
Nominal
A estimativa intermediária do Focus para o déficit nominal de 2025 passou de 8,99% para 9,0% do PIB. Um mês antes, era de 8,96%. A mediana para o rombo nominal de 2026 permaneceu em 8,50% do PIB pela quarta semana seguida.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. O resultado nominal reflete o saldo após o gasto com juros e outras despesas financeiras.
A mediana para a dívida líquida do setor público (DLSP) como proporção do PIB em 2025 se manteve em 65,75% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 65,86%. A estimativa intermediária para 2026 passou de 70,20% para 70,11%. Quatro semanas atrás, estava em 70,33%.
