Mercado não dá um tostão furado por Silveira
Maurício Corrêa, de Brasília —
Essa história de fazer opção política é muito interessante, mas você tem que aguentar as consequências e, depois, não pode reclamar do tranco.
Antes de virar ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que tinha sido derrotado na campanha para senador em Minas Gerais, quando, aliás, teve uma boa votação, embora tenha ficado em segundo lugar, era visto como um político liberal e que esta era a razão principal pela qual ele fazia parte do PDS.
Mas os tempos mudam e os políticos também. No MME, Alexandre Silveira pegou um gosto especial pelo Poder (Henry Kissinger teria dito que o Poder é afrodisíaco) e seu perfil foi mudando pouco a pouco. A ponto de se tornar, hoje, o mais petista de todos os petistas no ministério, embora oficialmente pertença ao PSD.
Virou um ferrenho lulista, a ponto de sair por aí usando uma camisa vermelha como a que já foi um dia símbolo do PT. De qualquer forma, com camisa ou sem camisa, o fato incontestável é que Silveira hoje tem linha direta com o presidente Lula e tornou-se de absoluta confiança entre os políticos que cercam o presidente.
Só que o Poder dá, mas o Poder também tira. E aquele prestígio que Silveira tinha com a área empresarial foi sumindo, sumindo e sumiu. Foi totalmente para o espaço.
Hoje, o ministro de Minas e Energia é amplamente rejeitado pelas lideranças empresariais. Elas já perceberam, há muito tempo, que o ministro deixou de ser alguém que acreditava no mercado e hoje é um político engajado de corpo e alma no discurso lulista. O mercado não duvida disso.
Tanto que, na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 04 de dezembro, sobre o que pensa o mercado financeiro mostra não apenas uma sensível piora na avaliação do governo do presidente Lula, mas, também, uma avaliação extremamente negativa sobre o ministro de Minas e Energia.
Gestores, economistas, analistas e operadores (traders) de fundos de investimento que participaram da pesquisa Genial/Quaest simplesmente não confiam no ministro Alexandre Silveira. Noventa e sete por cento dos entrevistados confiam pouco ou nada no ministro de Minas e Energia, a mesma avaliação, que, aliás, é atribuída ao presidente da República.
Embora não exista uma pesquisa nesse sentido, na avaliação deste editor esta também é a percepção que há entre profissionais que atuam na área de Minas e Energia: as pessoas não têm um pingo de confiança em Sua Excelência.
Silveira é até um cara simpático, mas a área empresarial não quer um cara simpático à frente do MME. Quer alguém, mesmo que carrancudo, mas que tenha coragem de tocar a Pasta e não fica no nhem-nhem-nhem, como parece ser a especialidade do ministro Alexandre Silveira. As pessoas já estão fartas de políticos com esse perfil: fala mansa, sorriso farto, tapinha nas costas e ineficiência.
A área empresarial está cansada dessa demagogia e quer alguém à frente do MME que enfrente os problemas e apresente soluções. A pesquisa Genial/Quaest matou a charada. Se for realizada uma pesquisa semelhante, com a mesma seriedade, na área de Minas e Energia, provavelmente o resultado será igual. Não vale pesquisa picareta.