Silveira vai a Minas, nesta quinta, tratar de energia elétrica? Não. De rodovias federais.
Maurício Corrêa, de Brasília —
Este site não acha qualquer graça em ficar malhando o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que é um cidadão elegante e educado. Só que o “Paranoá Energia” se esforça para fazer um jornalismo crítico e, nesse contexto, Silveira, como pisa muito na bola, é figurinha fácil. Torna-se um alvo natural do site. Só por isso, não é nada de caráter pessoal.
Este editor, aliás, nunca viu Sua Excelência de perto, nunca falou com ele. É natural que o ministro deteste as coisas que saem aqui sobre ele, mas isso é parte do jogo. Entretanto, o editor do “Paranoá Energia” não tem absolutamente nada contra a pessoa física de Alexandre Silveira.
O Brasil já teve grandes ministros de Minas e Energia. Vale a pena lembrar alguns nomes: Antônio Dias Leite Júnior, Aureliano Chaves, José Costa Cavalcanti, Raimundo de Brito e Shigeaki Ueki, por exemplo. A relação das nulidades é muito maior e nela se destacam: Alexis Stepanenko, Bento Albuquerque, Dilma Rousseff, Edison Lobão, Eduardo Braga, Márcio Zimmermann, Moreira Franco, Rodolpho Tourinho Neto, Silas Rondeau e Vicente Fialho.
Infelizmente, Alexandre Silveira faz parte do segundo grupo, das nulidades. Existem outros nomes que não se destacaram, mas também não fizeram besteiras, pois ficaram pouco tempo no cargo. O caso de Eliezer Batista é totalmente diferente. Executivo super-respeitado, tocou a Pasta com foco na mineração.
Tem de tudo nesse balaio de gatos. Adolfo Sachsida foi um bom ministro, que ficou pouco tempo na função, quando tomou decisões importantes.
O site está fazendo este enorme preâmbulo apenas para entrar no foco do texto, que é Alexandre Silveira. Nas últimas semanas, grande parte do setor elétrico estava quase soltando fogos, quando ficou sabendo que, numa reforma ministerial, Silveira seria deslocado para uma função ministerial no Palácio do Planalto, ficando mais próximo do seu ídolo, que é o presidente Lula. Mudança mais do que natural, pois, afinal, Silveira é homem da política, nada tem a ver com a área de energia.
Nos últimos dias, essas mesmas pessoas que comemoravam o fim da gestão de Silveira no MME entraram em depressão com a notícia que o cargo, no Palácio, está reservado para a presidente do PT, Gleisi Hoffman. Frustração total, pois todos precisarão aguentar Silveira no MME durante mais tempo do que se imaginava.
Não é por menos, pois a gestão de Silveira no MME é um desastre. Os mesmos representantes da área empresarial que vão ao ministro, fazem belos discursos e entregam plaquinhas de homenagem, quando terminam ligam para este editor e descascam Sua Excelência. A razão é muito simples: o ministro promete e não entrega. E a área empresarial está simplesmente cansada dessa demagogia.
E por que Silveira não entrega? As razões são variadas. Além de ter escolhido assessores técnicos incompetentes (pelo menos alguns em cargos estratégicos), as coisas simplesmente não andam no Ministério de Minas e Energia. Aparentemente, o que mais fascina o ministro no MME é o glamour das viagens ao exterior, quando Sua Excelência transpira felicidade como representante do Governo do Brasil em algum evento que tenha tapete vermelho.
Um executivo de alto coturno do SEB lembrou a este site que a única coisa que foi aparentemente para a frente, na gestão de Silveira, é a chamada pauta verde, que é uma pauta importada do Itamaraty e turbinada por dinheiro da Itaipu Binacional. O Brasil presidirá uma COP e precisa mostrar trabalho. Aí, a agenda de Silveira mandou bem. O fato concreto é que não tem muita relação com o setor elétrico.
Alexandre Silveira, na realidade, não tem muito tempo para o setor elétrico. Que parece ser um tema muito chato para o ministro. O que também é natural, pois ele não tem intimidade com a área.
O ministro está voltado para outras agendas, principalmente aquelas que dizem respeito à política no seu estado de origem, Minas Gerais.
Nesta quinta-feira, 06 de fevereiro, o ministro, por exemplo, mais uma vez passará todo o dia envolvido não com assuntos ligados à área de energia elétrica, mas às estradas federais em Minas Gerais, que é uma pauta do seu colega de Governo, ministro Renan Filho, dos Transportes. Além do anel rodoviário de Belo Horizonte, ele participará da cerimônia que marcará o início dos trabalhos da recuperação da BR-381. Como o secretário-executivo do MME é um zero à esquerda e o ministro estará viajando, será mais um dia perdido no MME.
Enquanto isso, questões fundamentais na área do MME vão se acumulando nas gavetas, pois ninguém toma decisão, a começar pelo novo modelo comercial do setor elétrico. Praticamente, tudo depende disso e ninguém tem a menor ideia do que ocorre a respeito no âmbito do MME. É provável que não esteja acontecendo nada.
Paralisados também se encontram a indicação de um diretor definitivo para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o destravamento das iniciativas que permitirão aos agentes que atuam na baixa tensão participar da liberdade de mercado, o que fazer com a concessão da Enel em São Paulo e o equacionamento do enorme déficit da Itaipu Binacional. O Brasil está super-atrasado em relação a outros países quando a questão é o armazenamento de energia, por exemplo. Depende do MME, que não faz nada. Aliás, todas as questões que envolvem novas tecnologias no setor elétrico dependem do MME.
Enquanto isso, o ministro cuida da política mineira, das rodovias federais em Minas Gerais e obviamente alicerça a sua candidatura a alguma coisa na eleição de 2026.
Nesta quinta-feira, Silveira distribuirá tapinhas nas costas, palavras gentis e fará muito conchavo em Minas Gerais. Ele é o culpado? Certamente, não. O culpado é quem o indicou, sabendo que o ministro não tinha qualquer conhecimento técnico a respeito da Pasta. Quem quiser reclamar alguma coisa que mande a conta para o Palácio do Planalto.