Nada como um dia depois do outro, não é Nelson Hubner?
Maurício Corrêa, de Brasília —
O engenheiro eletricista Nelson Hubner é um ícone do grupo técnico que oferece o seu apoio ao Partido dos Trabalhadores. Já foi diretor-geral da Aneel e inclusive ministro de Minas e Energia, durante oito meses, numa das gestões do presidente Lula.
Em suas passagens pelo Governo, sempre foi não apenas um dos principais ideólogos do partido na área de energia elétrica, mas, também, uma voz sólida na defesa da estatização e do modelo do velho setor elétrico, em que o Estado mandava em tudo.
Tanto que, na Aneel, como diretor-geral, transformou a agência reguladora praticamente em um apêndice do Ministério de Minas e Energia e nunca deu muita bola para a sua autonomia.
Desde a privatização da Eletrobras, Nelson Hubner, de forma coerente com tudo o que pensa a respeito do SEB, advoga a reestatização da empresa. Tem sido um crítico rigoroso da privatização da empresa.
Nos últimos dias, foi nomeado pelo presidente Lula para ocupar uma cadeira no Conselho de Administração da Eletrobras privatizada, como representante da União. Não há qualquer ilegalidade nessa iniciativa, pois é fruto de um acordo de acionistas.
O mais interessante é que, agora, Hubner, que sempre defendeu a Eletrobras estatizada, vai ganhar, segundo fontes do mercado, algo em torno de R$ 200 mil por mês, para participar, como representante da União, de uma única reunião mensal do CA da Eletrobras. Um belíssimo jeton, que só empresas privadas pagam, porque operam sob as leis do mercado.
O engenheiro Nelson Hubner está de parabéns pela indicação e certamente é o coroamento de uma carreira no setor elétrico. Mas seria interessante saber o que ele pensa a respeito desse maravilhoso jeton de R$ 200 mil por mês para integrar o CA da Eletrobras privatizada, que ele combateu tanto.