O ONS desce a ladeira
Maurício Corrêa, de Brasília —
A coisa tá ficando feia no ambiente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e aumenta cada vez mais a distância entre a diretoria e a base de funcionários.
Este site apurou que a consultoria Great Place to Work (GPTW), que aplica a pesquisa anual do clima no ONS, conferiu esse selo, pela primeira vez, que atesta que o Operador está focado na saúde e bem estar físico e emocional dos colaboradores.
Isso cheira a picaretagem. Mas a diretoria acreditou e parece estar orgulhosa dessa “conquista”. Só que tem um detalhe: a GPTW recebe para fazer a pesquisa e a manutenção do selo geralmente requer pagamento de mensalidade. Todo mundo sabe como funcionam esses selos na área empresarial. Paga-se a alguém para que esse alguém diga que você é lindo e maravilhoso. Deus Pai, como se diz lá no interior de Minas.
Tem gente dentro do ONS que não participa do otimismo da diretoria. Segundo essas fontes, o resultado da pesquisa de clima, olhando no detalhe por gerência executiva, é um verdadeiro caos.
Essa, aliás, é a única maneira que os funcionários contam para avaliar seus chefes. E do jeito que o Operador está tocando o dia a dia, valorizando-se o puxa-saquismo, essa pesquisa gera constrangimentos, pois alguns gerentes são rejeitados pela base de técnicos.
Embora sejam classificados pelos funcionários como incapacitados para ocupar os cargos, ocorre o que é muito comum no serviço público: os gerentes são amigos dos diretores e seus assessores e não acontece nada.
O fato é que a governança do ONS está descendo a ladeira. Há muito curiosidade entre quem entende de ONS com as mudanças que poderão acontecer na diretoria, com o fim dos atuais mandatos dos diretores Elisa Bastos, da área de Assuntos Corporativos, e Christiano Vieira da Silva, diretor de Operação., em maio de 2026.
Esses dois diretores são intelectualmente preparados, mas, no setor elétrico, são vistos como muito “verdes”, ainda, para a função que ocupam.
Considerando que depois deles foi nomeado para a diretoria do ONS um historiador com especialização em Direitos Humanos e um especialista em Administração, não dá nem para falar nada contra Bastos e Vieira. Eles são ótimos. Só precisam de mais kilometragem como Operador.
Este site, enfim, lamenta que o ONS tenha mudado de patamar, mas para baixo, no atual Governo. Internamente, isso é um problema danado, pois o ONS sempre foi visto, no setor elétrico, como uma espécie de “elite da elite”.
Já não é isso mais. Só que ninguém sabe exatamente o que é o ONS hoje e em que direção o Operador está caminhando. O Operador está meio sem rumo e a única coisa que se sabe é que o ambiente lá dentro está cada vez pior.