Vexame do SEB em Punta del Este
Embora às vezes pegue no pé de algumas autoridades e de alguns que se dizem “especialistas” do setor elétrico brasileiro, o site “Paranoá Energia”, na essência, não persegue ninguém.
Mas algumas coisas não podem deixar de ser registradas e o que se segue é uma delas, pois mostra muito bem a miopia, para não dizer mediocridade, que atinge áreas públicas e privadas do SEB.
Começou nesta quarta-feira, dia 04 de dezembro, e termina amanhã, em Punta del Este, no Uruguai, o evento “Reunião de Altos Executivos da Cier” (Comissão de Integração Energética Regional).
Trata-se de uma promoção em conjunto com o Comitê Uruguaio da Cier, que é uma organização do mais alto nível do setor elétrico da América do Sul e Central.
Fontes do “Paranoá Energia” presentes em Punta del Este estão horrorizadas com a deselegância e descaso do Brasil com o evento. Pelo menos no primeiro dia, não foram vistos representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e tampouco do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
As mesmas fontes alertaram que o programa do evento prevê, para amanhã, somente as presenças dos presidentes da Abradee, Marco Madureira, e da Celesc, Tarcísio Rosa. Entretanto, das áreas institucionais do SEB, nenhuma viva alma deu as caras em Punta del Este.
Não é um evento qualquer, pois também se celebra o aniversário de 60 anos da Cier. Não é um caça-níqueis que se vê por aí diariamente e que algumas autoridades simplesmente adoram.“Em outras oportunidades, o Brasil sempre participou de forma bastante representativa da Cier. Nada justifica tamanha desconsideração da parte do MME ou do ONS”, alegou uma fonte.
De fato, além do networking político e empresarial, pois participam representantes de vários países, a reunião discute novas ideias que fazem parte da agenda atual do setor elétrico brasileiro, em qualquer nível que se discuta:
1. Novas ideias que modelarão o setor elétrico regional em 2025;
2. Impacto das políticas e marcos regulatórios na sustentabilidade energética;
3. Harmonia hídrica, com integração de hidrelétricas, usinas eólicas e usinas fotovoltaicas para uma matriz energética sustentável;
4. Integração energética e comércio de energia;
5. Transição energética;
6. Mudanças climáticas e impactos sobre o setor energético.
“O absoluto desinteresse do Brasil nessa reunião de fato não tem qualquer explicação. O Brasil, dentro de pouco tempo vai começar a receber, via Bolívia, o gás natural dos campos de Vaca Muerta, no sul da Argentina. Também existe toda essa preocupação com as restrições operativas em relação às usinas renováveis em estados do Nordeste, para preservar a segurança da rede de transmissão. E o Brasil já autorizou várias comercializadoras a importar energia do Paraguai diretamente para o mercado livre brasileiro”, salientaram as fontes.
E lembraram que tudo converge para o setor elétrico brasileiro. “Ainda existem as discussões sobre transição energética e mudanças climáticas, que estão no topo das preocupações do Governo. Agora, que é o momento de se discutir tecnicamente todas essas questões, o MME está de fora da Cier e o ONS idem. Obviamente, não é por falta de dinheiro para viajar do Rio ou de Brasília até Punta del Este. Só pode ser por falta de visão política e falta de conhecimento”, disse a mesma fonte, que preferiu ficar no anonimato. “Com certeza, deve ter gente por aí, mandando no SEB, que sequer saiba o que significa Cier”, complementou.